SÃO SILVESTRE E O DRAGÃO - Narrativa Clássica Lendária - Jacopo da Varazze

SÃO SILVESTRE E O DRAGÃO

Jacopo da Varazze

(1228 – 1298)

 

Naquela época, havia em Roma um dragão num fosso que, todos os dias, matava com o seu bafo mais de trezentos homens.

Então, os bispos dos ídolos foram até o imperador e disseram-lhe:

— Ó santíssimo imperador, desde o tempo em que recebeste a fé cristã, o dragão, que está naquele fosso, mata, todos os dias, com seu bafo, mais de trezentos homens.

Então, o imperador enviou um mensageiro a São Silvestre para rogar seu conselho sobre o assunto. São Silvestre respondeu que, pelo poder de Deus, prometia fazer cessar o mal e a maldição que a besta infligia ao povo.

Pondo-se São Silvestre a orar, São Pedro lhe apareceu, dizendo:

— Vai com certeza ao dragão, e leva os dois padres que estão contigo. Quando chegares ao dragão, diz-lhe: “Nosso Senhor Jesus Cristo, que nasceu da Virgem Maria, foi crucificado, sepultado e ressuscitou, e agora está sentado à direita do Pai, pois Ele é o que há de vir para julgar os vivos e os mortos. Eu te ordeno, Satanás, que mantenhas a besta neste lugar até que ele venha.” Então, amarrarás a boca do dragão com um fio e a selarás com o teu selo, no qual está a marca da cruz. Então, tu e os dois padres virão a mim sãos e salvos, e comerão o pão que eu vos prepararei.

Tal como São Pedro havia dito, São Silvestre fez. E quando chegou ao fosso, desceu cento e cinquenta degraus, levando consigo duas lanternas, e encontrou o dragão, e disse-lhe as mesmas palavras que São Pedro lhe havia dito, e amarrou-lhe a boca com um fio, e selou-a. 

 

 


 

Havendo retornado, encontrou, ao subir, dois encantadores que o tinham seguido para ver se ele desceria mesmo, os quais estavam quase mortos pelo cheiro pérfido do dragão.  E, tendo-os trazido de volta consigo sãos e salvos, os encantadores foram imediatamente batizados, juntamente com uma grande multidão.

Assim foi a cidade de Roma libertada da dupla morte, que era o culto e a idolatria de falsos ídolos e o veneno do dragão.

 

Versão em português de Paulo Soriano, a partir da tradução inglesa de William Caxton (1442 – 1491).

Ilustrações: Battista da Vicenza (1375 – 1438) e Maso di Banco ((? — 1348)

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O DEMÔNIO NA GARRAFA - Conto Clássico Sobrenatural - Robert Louis Stevenson

O GATO PRETO - Conto Clássico de Terror - Edgar Allan Poe

O BARBA AZUL - Conto Clássico de Terror - Charles Perrault

UMA HISTÓRIA HORRIPILANTE - Conto Clássico de Horror - Gaston Leroux