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MISTÉRIOS - Narrativas Clássicas Verídicas Sobrenaturais - Henri Lichtner

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MISTÉRIOS Henri Lichtner (Séc. XX) A curiosa história que vou narrar ocorreu na minha própria família e deu que falar a toda a região e que habitávamos. Foi durante a minha primeira infância. O que motivou o fato foi o seguinte: quando solteira, minha mãe fora cortejada ardente e assiduamente por um cavalheiro que se dizia teósofo. Parece-me que ele nutria a intenção de casar-se com ela, mas não era correspondido. Minha mãe, não tendo por ele a menor atração, tornou-se esposa de outro homem: meu pai. Ora, o pretendente, vendo frustrado os seus desejos, decidiu vingar-se. É precisamente a maneira curiosa de que se valeu para a vingança que constitui o objeto desta narrativa. Parece que, sendo ocultista, resolveu utilizar os seus poderes mágicos para realizar do seu plano de vingança. O fato é que, repentinamente, acontecimentos estranhos começaram a ter lugar em nossa casa. Primeiramente começamos a ouvir ruídos curiosos de que ignorávamos a origem; e logo, pela casa inteira — ...

O CADÁVER - Conto Clássico de Mistério - Beldemónio

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O CADÁVER Beldemónio 1 Soube-se um dia em Lisboa que tinha aparecido um assassinado para as bandas do Campo Grande, alta noite, mesmo ao pé do muro da quinta. Era em pleno estio, quando a população da capital emigra para todos os seus arredores. Nesse ardor anual de bucólica, a notícia caiu como um mensageiro de terrores, e a vida do campo criou subitamente, aos olhos dos emigrados, um aspecto torvo de crime. Pairava sobre esse caso trágico um mistério profundo. Não se suspeitava quem fosse o assassino. Não se calculava sequer que causa determinara o crime. Posta em campo, a polícia nem ao menos conseguiu lançar-se numa pista falsa; faltavam-lhe completamente todos e quaisquer indícios, desde o rudimentar rasto de passadas até ao boato inexplicável do povo. O assassinado tinha um nome na sociedade elegante de Lisboa. Era novo, rico, alegre, sem inimigos, sem ligações aventurosas. Sabia marcar cotilhões. Montava a cavalo. Estimavam-no sem reservas, como a uma criatura neutra p...

WILLIAM WILSON - Conto Clássico Sobrenatural- Edgar Allan Poe

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WILLIAM WILSON Edgar Allan Pöe (1089 – 1849) Tradução de autor anônimo do início do séc. XX Suponhamos, por um momento, que me chamo William Wilson. O meu verdadeiro nome não deve manchar esta lauda branca. Demasiadamente tem ele sido o horror e abominação do mundo; vergonha e opróbrio da minha família! Não terão os ventos horrorizados levado a sua infâmia incomparável até as regiões mais longínquas do globo. Sou o mais abandonado de todos os proscritos. O mundo, as suas honras, as suas aspirações, tudo acabou para mim! E, entre as minhas esperanças e o céu, paira uma nuvem negra, densa, enorme. Ainda que me fosse possível, não condensaria nestas páginas todas as recordações dos meus anos de misérias e de crime irremissível. Este último período de minha vida atingiu subitamente tais proporções de torpeza que seria tão horrendo como difícil descrevê-lo O que desejo é determinar simplesmente a origem desse súbito desenvolvimento de perversidade. Em geral, o homem corrompe-se gr...