A ENTIDADE - Conto Sobrenatural - Dolo Espinosa

A ENTIDADE

Dolo Espinosa

Tradução de Paulo Soriano



A entidade — vestida de branco, com o rosto coberto por longos cabelos escuros — está parada no meio do longo e escuro corredor por onde o homem avança às escuras.

O espectro espera pacientemente que o homem se aperceba da sua presença.

O homem se limita a atravessá-la com um ligeiro arrepio, que atribui a uma janela aberta.

O espírito, algo frustrado, decide mudar de forma. Avança até reencontrar-se diante do homem, transformado numa freira de horrendas feições.

Mais uma vez, o homem atravessa o seu corpo etéreo sem sequer sobressaltar-se.

Talvez recorrendo aos métodos clássicos… — pensa o fantasma. E decide transformar-se no banal e aborrecido homem sem cabeça.

E, mais uma vez, o homem simplesmente o atravessa.

O espectro, completamente abatido, decide retirar-se.

Este homem é feito de gelo — murmura, enquanto se esfuma.

O homem, depois de percorrer o longo corredor, chega à porta, chama o seu cão-guia, pega a sua bengala branca e sai de casa.


Ilustração: PS/Dreamina.

Texto integrante da revista bilíngue (português e espanhol) “Relatos Fantásticos”, vol. V. Para acessá-la na íntegra, clique aqui.

 

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