INDIFELIDADE TUMULAR - Conto Tradicional Chinês Sobrenatural
INFIDELIDADE TUMULAR
Conto tradicional chinês
Depois do falecimento da esposa do subprefeito de Sinfan (Séu-tch'oan), uma belíssima mulher apareceu em sua casa. O subprefeito apaixonou-se pela dama e permaneceu junto a ela durante vários meses.
Um dia, ela despediu-se aos prantos.
— Por que me deixas? — perguntou ele.
— Porque — respondeu — meu marido está de volta. Ele me levará para longe daqui. Em minha memória, guarda isto.
E entregou ao subprefeito um cálice de prata. O subprefeito, de sua feita, deu à mulher retalhos de seda.
E ela se foi.
Depois da partida, o subprefeito não pensava em outra coisa senão na mulher. E o cálice permanecia sempre com ele. Onde quer que estivesse, punha-o sobre a mesa à sua frente.
De sua feita, o comandante da tropa do distrito, tendo sido substituído, pretendia trasladar à nova sede o caixão de sua esposa, que havia falecido em Sinfan. Outrossim, foi à casa do subprefeito para uma despedida.
O subprefeito o recebeu calorosamente. No entanto, os olhos do oficial estavam fixos no cálice.
— Por que este objeto tanto te interessa? — perguntou o subprefeito.
— Porque eu coloquei esse cálice — respondeu o comandante — no caixão da minha falecida mulher. E me pergunto como é que ele veio parar aqui.
Bastante comovido, o subprefeito relatou sua aventura, descreveu a mulher e, por fim, referiu-se à troca do cálice pelos dez retalhos de seda.
Furioso, o comandante voltou para casa. Abriu o caixão da esposa. Envoltas nos braços, o cadáver intacto mantinha as dez peças de seda. O comandante imediatamente mandou queimar o caixão e o seu conteúdo.
Versão em português de Paulo Soriano a partir da tradução ao francês de Léon Wieger (1858 – 1922).
Ilustração: PS/Copiliot.

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