A AIA ATORMENTADA PELO DIABO - Narrativa Clássica Sobrenatural - Johann Weyer
A AIA
ATORMENTADA PELO DIABO
Johann Weyer
(1515 – 1588)
Um camponês
tinha prometido casar-se com certa jovem. Ele, todavia, se apaixonou por outra
mulher.
A jovem — uma
aia — ficou tão constrita que, depois de se ter afastado cerca de meia légua do
convento, encontrou o Diabo. Este, sob a forma de um jovem, começou a conversar
intimamente com ela, revelando-lhe todos os segredos do camponês e as palavras
que ele tinha dito à nova amante. E
assim falava para que a jovem caísse em desespero e decidisse estrangular o
antigo noivo.
Quando chegaram
a um riacho, ele tomou a jarra de óleo que a moça levava, para que esta pudesse
atravessar o passadiço com maior facilidade, e a convidou-a acompanhá-lo a um
certo lugar, cujo nome lhe foi dito.
A jovem,
contudo, recusou o convite, dizendo:
— O que queres
tu que eu faça entre estes pântanos e lagoas?
Subitamente, o
acompanhante desapareceu. A moça, de tão assustada, desmaiou.
A patroa,
avisada, mandou-a trazê-la de volta numa liteira.
No convento, a
jovem adoeceu. E, como que obliterada do entendimento, com a mente
estranhamente agitada, às vezes queixava-se de ser miseravelmente atormentada
pelo maligno, que queria tirá-la de onde estava, atirando-a pela janela.
Ela, então,
casou-se com o camponês e recuperou a sua primeva saúde.
Versão em português de Paulo Soriano, a partir da
tradução francesa de Paul Lacroix (1806 – 1884).

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