O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO - Narrativa Clássica de Terror - Xavier Marmier
O ESPECTRO DO
SENHOR AVARENTO
Xavier Marmier
(1808 – 1892)
Tradução de
Paulo Soriano
Uma
pequena cidade nas montanhas do Franco-Condado testemunhou, em várias ocasiões,
uma aparição maravilhosa. A um quarto de léguas do rio Maiche, no topo de uma
colina, avistam-se as ruínas de um castelo circundado por matagais e abetos.
Ali viveu, outrora, um senhor avarento, cujo coração estava fechado a qualquer
senso de justiça: para saciar a sua sórdida paixão, constantemente submetia os
seus vassalos a novas exações e assenhorava-se dos bens dos seus vizinhos. Ele está sepultado em meio aos seus tesouros,
mas ali não encontra repouso. Desejaria trocar o seu esplêndido sepulcro pela
sepultura de terra fresca onde qualquer camponês dorme com tanta tranquilidade;
mas está condenado a permanecer onde viveu, e passar a noite gemendo, a
chafurdar no seu tesouro.
No
entanto, Deus, comovido com os seus sofrimentos e com as orações que os seus
descendentes lhe ofertaram, restaurou a esperança no seu coração,
permitindo-lhe vir a este mundo à procura de alguém que o liberte. A cada cem anos, num específico dia, quando a
escuridão se põe a envolver o campo, o velho senhor emerge de sua mansão,
segurando entre os dentes uma chave flamejante. Ele percorre os campos, penetra
os cercados e se aproxima da cidade, exibindo a todos o seu rosto cadavérico e
a sua chave em brasa. Quem ousar pegar essa chave e, depois, segui-lo se
tornará, imediatamente, o possuidor dos imensos tesouros e libertará essa pobre
alma dos tormentos de que padece. Mas,
até hoje, ninguém se atreveu a responder ao seu chamado...
Fonte:
“Souvenirs de Voyages et Traditions Populaires”, P. Masgana, Paris, 1841.

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