A DAMA DE GREIFENSTEIN - Conto Clássico Lendário Sobrenatural - Auguste Stoeber
A DAMA DE
GREIFENSTEIN
Auguste Stoeber
(1808 – 1884)
Tradução de
Paulo Soriano
Há
muitos anos, havia em Saverne um vidraceiro que costumava, todos os domingos,
dar um passeio a oeste da cidade, à entrada do belo vale de Zorn, onde se situa
o castelo de Greifenstein.
Sentava-se
numa pedra, pegava no seu flajolé[1]
e começava a tocar uma melodia. Várias vezes viu uma senhora, vestida de
branco, surgir nas ruínas da torre, defronte ao lugar onde ele se encontrava,
acompanhando-o na flauta.
A
princípio, aquela aparição o impressionou; contudo, pouco a pouco, habituou-se.
Certa
feita, tomou coragem e gritou:
—
Cuidado para não cair.
—
Quem me dera a Deus que eu pudesse mergulhar no vale e pôr fim aos meus
problemas.
—Estás,
assim, tão infeliz? — perguntou, compassivo, o vidraceiro.
—
Mais do que podes imaginar —respondeu a aparição. — Não tenho descanso no meu
túmulo. Quando eu estava no mundo, era orgulhosa e gananciosa. Acumulei
tesouros sobre tesouros, que escondi neste castelo. Depois, apoderei-me
injustamente dos prados que ainda hoje se chamam Helematt, em homenagem ao meu
nome Hélène. Mas as minhas provações podem chegar ao fim. Por punição
celestial, eu assumo, toda sexta-feira, a forma de um horrendo sapo. Quem,
encontrando-me trasmudada, tiver a coragem de envolver-me nos braços, e tomar a
chave de ouro que guardo em minha boca, proporcionar-me-á a libertação. E ele
se tornará o dono da terça parte dos tesouros contidos nas cavidades dessas
rochas; os dois terços restantes serão dedicados às boas obras.
Tais
palavras e o suplicante olhar que lhe lançou a dama determinaram o vidraceiro a
prometer que a libertaria na sexta-feira seguinte. Chegou ao vale na hora
marcada, mas, quando viu, sobre a rocha, o horrendo sapo, com os seus olhos
cintilantes, toda a coragem se esvaiu e o vidraceiro fugiu às carreiras.
Daquele
dia em diante, ele nunca mais retornou ao castelo de Greifenstein e jamais
voltou a tocar o seu instrumento favorito.
Fonte: “Revue des Traditions
Polulaires”, fevereiro de 1902.
Nota:
[1] Instrumento de
sopro da família das flautas

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