O STRIGOI DE SANTO AMARO - Conto de Terror - Paulo Alexandre Filho
O STRIGOI DE
SANTO AMARO
Paulo Alexandre
Filho
O
cheiro de cânfora e sangue seco impregnava o consultório do Doutor Victor
Ionescu, escondido em um sobrado antigo da Rua da Aurora. À luz bruxuleante dos
lampiões a gás, sua silhueta estrangeira — alta, pálida, vestida sempre de
preto — parecia mais uma sombra saída dos contos que assustavam as crianças do
que um médico de reputação. Mas em Recife, onde a febre amarela deixou tantos
lares em luto, até um homem de hábitos suspeitos era tolerado… enquanto
curasse.
O
Doutor era romeno de nascimento e havia escolhido a capital pernambucana como
seu novo lar, atraído por uma estranha semelhança que só ele enxergava entre
Recife e sua Bucareste natal. Chegou por volta da época da coroação de D. Pedro
II — ou talvez antes — e se estabeleceu aos poucos até conseguir obter alguma
estabilidade e seu próprio imóvel para viver e trabalhar.
Cirurgião
de formação erudita — fruto de estudos em universidades europeias de nomes
impronunciáveis —, Ionescu não era como os outros doutores da província.
Enquanto os médicos formados em Coimbra anunciavam pomposamente seus serviços
no Diario de Pernambuco — “Doutor em Cirurgia, atendimento domiciliar das 9h às
15h” — o romeno só recebia pacientes depois do pôr do sol. Recusava-se a
atender em domicílio, fosse um barão da cana-de-açúcar ou uma dama da alta
sociedade. Seu consultório não exibia retratos ou diplomas, apenas frascos de
vidro com espécimes imersos em líquidos âmbar: cobras, corações humanos, coisas
sem nome. E, nas prateleiras, livros encadernados em couro, escritos em uma
língua que os estudiosos locais só reconheciam como “algum dialeto do
Leste”.
Era
habilidoso em sua prática, mas por métodos que beiravam o herético. Durante as
expedições que realizou entre os índios do interior, aprendeu com os pajés o
uso de ervas que nem os boticários da cidade conheciam. Enquanto outros
doutores receitavam sangrias e emplastros, Ionescu manipulava ervas
desconhecidas, preparava elixires de cheiro acre e, diziam as más línguas,
mantinha conversas sussurradas com os mortos. Depois de sua queda em desgraça,
os seus poucos serviçais — todos libertos, pois abominava a escravidão —
confirmaram que costumava fazer caminhadas solitárias até a freguesia de Santo
Amaro das Salinas, onde passava horas examinando cadáveres no British Cemetery
e principalmente no Cemitério de Santo Amaro, a grande necrópole erguida em
1851 durante ao caos da febre amarela. Ali, entre túmulos ainda frescos e
lápides manchadas de umidade, o doutor buscava algo que ninguém ousava nomear.
Ele partia nessas jornadas com a mala de instrumentos cirúrgicos… e voltava com
ela sempre mais pesada.
A
assiduidade das visitas do médico aos cemitérios se intensificou a tal ponto
que não tinha como passar despercebida por vários observadores. Parecia uma
espécie de vício. Os rumores acabaram se transformando em acusações. Corpos
desapareciam de covas recém-cavadas. Velhas crioulas juraram tê-lo visto, em
noites de lua cheia, murmurando palavras em uma língua estranha diante de
sepulturas violadas.
A
gota d’água foi quando o cadáver de uma jovem aristocrata foi encontrado sem o
coração em meados de 1860. A cidade explodiu em fúria por causa dessa violação
hedionda e a multidão não precisou de mais provas. No mesmo dia invadiram seu
consultório, onde encontraram mais do que frascos de substâncias desconhecidas
e cadernos cheios de símbolos indecifráveis, pois num cômodo reservado e sem
janelas foram descobertos vários órgãos e membros humanos.
Era
tarde demais para explicações. Arrastado para a rua, Ionescu não gritou por
misericórdia, só recepcionou a turba com um sorriso de dentes pontiagudos e
bradou, em um português perfeito pela primeira vez:
—
Vocês não sabem o que despertaram!
Os
tiros e facadas o silenciaram. Enterraram-no às pressas em Santo Amaro, sem
caixão, sem cruz — apenas jogando terra sobre seu rosto ainda sorridente
largado em uma cova rasa cavada no ponto mais remoto do cemitério. O padre se
recusou a abençoar a sepultura, que não recebeu sequer uma lápide. O doutor
romeno deveria ser mais um morto sepultado como indigente na vastidão de Santo
Amaro, mas as histórias não morreram com ele.
Poucos
dias depois, começaram os relatos. Inicialmente um coveiro jurou ter visto
Ionescu, pálido e sorridente, caminhando entre os jazigos. Depois começaram a
surgir outras testemunhas de que algo perturbador acontecia. Alguns moradores
da freguesia afirmaram que um perturbador vulto desengonçado perambulava pelas
ruas e batia nas portas e janelas das casas. Os mais corajosos, espreitando
pelas frestas das janelas, descreviam uma figura alta, de postura curvada,
vestindo trajes escuros e esfarrapados que lembravam o velho casaco do médico
romeno.
Diziam
que ele emitia um som grotesco, mistura de rosnado gutural, riso abafado e
arroto. Além disso, exalava um forte fedor de enxofre e carne em decomposição
que se infiltrava nas casas, deixando os moradores enjoados, com tremores
inexplicáveis, falta de ar e febres súbitas. Logo, o temor de uma nova peste
pairou sobre Recife. Nas manhãs após as aparições eram encontrados animais
mortos como cachorros e gatos de rua, além dos porcos criados em quintais.
No
cemitério, a profanação era mais evidente. Rastros lamacentos deixados entre os
túmulos, como se alguém (ou algo) tivesse arrastado por ali os pés sem destino.
Coroas de flores jaziam esfaceladas, suas pétalas negras espalhadas como se
tivessem sido mastigadas e cuspidas. A grama, antes verdejante, secou da noite
para o dia, ressecada como se toda vida tivesse sido sugada dali. Uma legião de
gabirus de olhos brilhantes invadiu o local, enquanto corujas agourentas voavam
em círculos baixos, raspando as lápides com suas asas.
Foi
então que o vigia noturno, um homem calejado chamado Bartolomeu, testemunhou o
impossível. Durante sua ronda, uma cova chamou sua atenção — a do Doutor
Ionescu. A terra, antes compactada, estava revolvida, como se algo tivesse
escavado de dentro para fora. Com as mãos trêmulas, Bartolomeu se aproximou, e
o que viu o fez recuar em horror: o túmulo estava vazio. Apenas um rastro de
terra úmida levava para além da cerca. O suor gelado escorreu-lhe pela face
enquanto corria, gaguejando todas as rezas que conhecia.
Ao
amanhecer, o primeiro a aparecer após o apelo do vigia foi o pároco da igreja
de Santa Cruz. Em seguida chegaram o comissário de polícia e um jornalista
ávido por escândalos. Ao lado do vigia, os três testemunharam a inspeção
mórbida. O coveiro, a contragosto, cavou novamente a cova rasa e então tiveram
a revelação: o cadáver estava lá.
Mas
não como deveria estar. O corpo do doutor apresentava evidentes sinais de
decomposição, mas menos estava degradado do que o esperado para o tempo de sua
morte, mas essa não era a coisa mais estranha porque ele não repousava na
posição original, como se tivesse realmente se movimentado desde o
sepultamento. Seus braços, antes cruzados sobre o peito, agora estavam retos,
os dedos retorcidos como garras. Seu rosto cinzento, parcialmente consumido
pelos vermes, estava virado para o lado, a boca estava aberta exibindo dentes
amarelados e pontiagudos. O cheiro era insuportável — mas não de podridão
comum. Era o mesmo odor de enxofre que enojava as ruas.
O
comissário, cético, declarou que o vigia foi enganado por sua própria
imaginação ou pelo álcool, pois era conhecida a sua sede por aguardente e vinho
barato. O jornalista anotou tudo, já vislumbrando manchetes sensacionalistas.
O
padre Pedro, porém, não se convenceu. Ele originalmente se chamava Piotr
Wójcik, pois era polonês de nascimento, embora sua nação estivesse fragmentada
pelo domínio prussiano, austro-húngaro e russo, o que fez dele um apátrida que
abraçou a vida missionária quando era jovem. Ele conhecia histórias sombrias do
leste da Europa, pois durante sua infância na região silvestre da Podláquia, os
adultos amedrontavam as crianças falando sobre mortos que se erguiam dos
túmulos para perturbar os vivos. Uma dessas histórias tratava de um certo Jure
Grando, na Ístria, que “viveu” por bastante tempo atormentando uma cidade após
a sua morte. O sacerdote sabia que havia verdade nas velhas histórias, então,
enquanto os outros se afastavam, ele sussurrou uma única palavra, baixa o
suficiente para que apenas Deus ouvisse: “Strigoi.”
Quando
chegou a noite, a lua cheia pendia sobre Recife como um olho pálido e
indiferente, iluminando as ruas desertas com uma luz fantasmagórica. No
Cemitério de Santo Amaro, a terra moveu-se. Lentamente, como uma flor maligna
desabrochando de seu broto fúnebre, o strigoi emergiu. Sua pele, antes
cadavérica, agora estava rachada e ressecada como pergaminho antigo. Seus olhos
— brancos, leitosos, sem pupilas — refletiam o terror de suas vítimas antes
mesmo de as encontrar. As unhas, antes quebradas pela cova rasa, haviam
crescido em garras recurvadas negras de terra.
Dessa
vez, ele não se contentaria com batidas nas portas ou vapores pestilentos.
Dessa vez, ele mataria.
Um
séquito de ratazanas surgiu das sombras, guinchando em frenesi, enquanto
morcegos esvoaçavam acima dele, formando uma nuvem viva e sussurrante. Os
movimentos desajeitados das noites anteriores haviam se tornado precisos,
predatórios. A lua cheia lhe deu força. E agora, ele tinha sede.
O
primeiro a perecer foi um bêbado, cambaleando sozinho pelas ruas escuras. O
strigoi caiu sobre ele como um abutre faminto. Garras cravadas, dentes afiados
mergulhando no pescoço — o sangue jorrou, espesso e quente, mas nenhuma gota
foi desperdiçada. Quando o monstro se afastou, o homem jazia no chão,
contorcido e seco como um fruto esmagado, sua face congelada em um último
espasmo de horror.
Os
próximos foram dois escravos, os chamados tigres, que carregavam barris de
dejetos humanos pela madrugada. Homens fortes, acostumados ao trabalho pesado —
mas nenhum músculo os salvou. O strigoi cortou suas gargantas como se rasgasse
papel, dilacerando-os em um piscar de olhos. Sangue escuro respingou nas
paredes próximas, e os corpos caíram em silêncio. O ataque durou um piscar de
olhos.
O
bordel clandestino foi sua próxima parada. Três meretrizes, exaustas após a
noite de trabalho, estavam arrumando os últimos detalhes quando a porta se
abriu sem um só ruído. O strigoi entrou, e as mulheres paralisaram — não por
medo, mas por algum poder oculto em seu gesto. Ele não as matou ali. Apenas as
tocou, levemente, com uma garra alongada. No dia seguinte, elas começaram a
tossir sangue. Em uma semana, estavam mortas, seus corpos consumidos por febres
negras e hemorragias inexplicáveis.
O
último ataque foi o mais cruel.
Ele
aguardou na escuridão como um caçador paciente e percebeu quando um casal
voltava tarde de uma viagem em uma charrete que balançava suavemente pela rua
deserta. Os cavalos, nervosos, começaram a bufar e arriar as orelhas — mas já
era tarde. O strigoi saltou das trevas como uma sombra viva, arrancando o homem
do assento antes que ele pudesse gritar. A mulher tentou fugir, mas suas mãos,
ágeis como garras de lobo, a puxaram de volta. Os cavalos dispararam em pânico,
arrastando a charrete vazia até desaparecer na noite. O casal nunca chegou ao
destino, apesar de terem estado tão perto de casa.
Quando
os primeiros raios de sol douravam o horizonte, o strigoi já estava de volta à
sua cova. A terra movediça fechou-se sobre ele como um véu, escondendo-o da luz
que o destruiria.
A
manhã seguinte trouxe consigo o caos.
Os
corpos foram encontrados um a um — o bêbado esvaziado de sangue, os escravos
dilacerados, o casal desaparecido, cujos restos mutilados foram descobertos em
um beco perto do rio. A cidade despertou em pânico. Não era apenas o número de
mortes que aterrorizava, mas a natureza delas. Gargantas arrancadas de maneira
brutal, corpos dessangrados como se tivessem sido espremidos, e um cheiro
persistente de enxofre e carne podre pairando sobre os locais dos crimes.
As
autoridades, acostumadas a lidar com facínoras, estavam perdidas. O comandante
da polícia, um homem pragmático de bigode farto, franziu a testa diante dos
relatos, mas não tinha respostas. Quem foi procurado — quase exigido — para dar
explicações foi o bispo. Afinal, se não era obra de criminosos comuns, só podia
ser algo pior.
As
prostitutas do bordel clandestino, já enfermas e com a pele manchada de
hematomas negros, deram seus depoimentos entre tosses e arquejos. Falaram de um
vulto pálido, de olhos brancos como os de um peixe morto, que as paralisou com
um simples gesto. “Veio do cemitério”, uma delas sussurrou, antes de cuspir um
fio de sangue no chão. Os investigadores anotaram tudo, mas os detalhes eram
demasiado insanos para constar em qualquer relatório oficial.
Mesmo
em uma sociedade profundamente religiosa, que acreditava em milagres e
maldições, aquilo era demais. Decidiram, então, desenterrar o cadáver do Doutor
Ionescu mais uma vez.
Sob
o olhar atento do bispo, do comissário e de alguns curiosos que ousaram se
aproximar, abriram o covil. O romeno estava rígido, frio e com aspecto
estragado, exatamente como um morto deveria estar. Nenhum sinal de que havia se
movido. Nenhum traço de sangue fresco em suas garras. Nenhum indício, além do
cheiro acre que impregnava, de que algo sobrenatural ocorreu.
O
bispo benzeu-se e fez uma reza em latim. O comissário suspirou, aliviado.
—
Superstição de gente ignorante — declarou, fechando o caso com um golpe de
caneta.
Mas
enquanto os homens sérios se viravam para outros assuntos, um dos coveiros —
aquele que ajudou a cavar — ficou para trás. E, antes de jogar a terra de volta
sobre o corpo, ele notou algo que os outros não viram: As unhas do morto
estavam mais longas do que antes e a terra estava mexida, como se algo tivesse
movido o cadáver. Mas ele não disse nada. Afinal, quem acreditaria em um
simples coveiro?
A
noite chegou e o perigo também. A vigilância no Cemitério de Santo Amaro havia
sido reforçada, mas não adiantou. Os dois sentinelas postados junto ao portão
principal foram os primeiros a cair. Quando os encontraram, estavam estirados
no chão, pescoços abertos como cálices invertidos, a última gota de sangue
sugada de suas veias. Seus rostos, retorcidos em expressões de puro terror,
pareciam acusar algo que seus lábios roxos já não podiam denunciar.
O
strigoi estava mais ousado. Dessa vez, não se limitou às ruas escuras — invadiu
casas. Sobrados de comerciantes abastados, mocambos de escravos libertos, todos
eram iguais perto de sua fome. As vítimas morriam instantaneamente, garras
rasgando suas gargantas antes que um grito fosse possível. Outras, porém, eram
apenas tocadas, condenadas a definhar em agonia lenta, envenenadas por algo que
os médicos da cidade não conseguiam diagnosticar.
Ao
amanhecer, o saldo era de cinco mortos confirmados — e uma cidade à beira do
motim.
As
igrejas ficaram abarrotadas. Famílias inteiras se aglomeravam em bancos de
madeira, rezando em voz alta, certas de que o demônio não ousaria pisar em solo
sagrado. Os jornais, ainda relatando os crimes da noite anterior, já estavam
desatualizados — o verdadeiro noticiário corria de boca em boca, nos trapiches,
nos mercados, nas ruas estreitas onde o medo era mais contagioso que qualquer
peste.
E
então, a multidão decidiu agir. Dessa vez, não esperaram pelas autoridades.
Homens armados com foices, paus e crucifixos marcharam até o cemitério, prontos
para desenterrar o cadáver maldito e reduzi-lo a cinzas. Mas quando chegaram,
encontraram a comissão oficial já reunida: policiais, médicos, o bispo e seus
acólitos, todos em torno da cova recém-escavada.
O
corpo de Ionescu foi retirado novamente, agora transportado para a capela do
cemitério. Os médicos, com suas luvas de couro e expressões severas, examinaram
os restos em decomposição.
—
Definitivamente morto — declarou o mais velho, um homem de barba grisalha que
cheirava a álcool e tabaco.
—
Nenhum sinal de movimento recente — concordou outro, limpando as mãos em um
pano sujo.
Mas
houve uma voz dissonante.
Um
jovem médico português, Dr. Álvaro Mendonça, de rosto ainda imberbe, hesitou
antes de falar após fazer uma pequena incisão na pele do defunto:
—
Seu sangue… está fresco demais.
Os
colegas riram.
—
Cala a boca, menino. Isso é só líquido da putrefação.
Ninguém
registrou sua observação.
Foi
então que o tumulto irrompeu do lado de fora. Uma mulher negra de feições
delicadas e expressão severa, vestida com trajes simples, mas carregando um
colar de contas vermelhas e brancas, exigia entrar.
—
É mandingueira! — alguém gritou, afastando-se como se ela carregasse lepra.
Ela
não se intimidou.
—
Esse corpo não está morto como vocês pensam. Tem algo nele. Algo que vem de
além — disse enquanto mantinha os olhos fixos no cadáver coberto por um lençol
sujo.
O
bispo fez um gesto de desprezo.
—
Feitiçaria. Não daremos ouvidos a superstições pagãs.
Ignorada,
a mulher recuou, mas não sem antes lançar um último olhar para o corpo — um
olhar que misturava reconhecimento e medo.
O
padre Pedro, hesitante entre os clérigos que acompanhavam o bispo, resolveu
falar.
—
Conheço essa maldição. É um Strigoi. — explicou, com um misto de fascínio e
horror. — De onde veio este homem e também nas terras próximas, inclusive em
minha região natal, os antigos já falavam em demônios que dominavam corpos
mortos e que se saciavam de sangue. Famílias amargam o infortúnio de algum
parente ter sido tocado por este mal, até a minha. Alguns deles possuem um
comportamento vampiresco extremamente cruel.
—
Cale-se, Pedro! — ordenou o bispo.
—
Devemos acabar com ele agora com uma adaga de prata, uma estaca no coração ou
arrancando sua cabeça demoníaca. Depois disso, o corpo precisa ser queimado.
—
Chega! — gritou o bispo — Não admito um padre que acredita nesses absurdos, tal
qual a uma feiticeira que esteve aqui!
O
pároco foi expulso do recinto humilhado e escutando ofensas. Ainda seria
necessário prestar esclarecimentos e eventualmente sofrer alguma punição pela
demonstração de apego a crenças degradantes. A obediência à hierarquia o fez
silenciar e aceitar o constrangimento naquele instante, mas em seu íntimo o
pressentimento era o pior possível.
O
padre Pedro sentiu os passos atrás de si antes de ouvir a voz hesitante:
— Padre… um momento, por favor.
Ao
virar-se, reconheceu o jovem médico português que desafiou os colegas durante o
exame do cadáver. Seu rosto pálido revelava noites mal dormidas.
— Doutor Mendonça? O que o traz aqui?
— Vi o senhor deixar o cemitério e… preciso
falar. — O médico baixou a voz: — Aquele sangue no cadáver. Não era produto da
putrefação. Era sangue vivo, padre. E há mais…
Pedro
estudou o rosto do homem — via nele a mesma convicção angustiada que lhe
consumia as próprias entranhas. O médico continuou, as palavras saindo em um
fluxo contido:
— Examinei os corpos das últimas vítimas. As
marcas no pescoço… não são de faca ou dente humano. São como se a carne tivesse
sido perfurada por algo afiado e quente ao mesmo tempo.
— Por que me conta isso, filho? Seus colegas…
— Riram de mim — completou Mendonça com
amargura. — Mas o senhor… o senhor viu.
O bispo pode ter ignorado, mas acredito que o senhor conhece essa maldição.
O
padre observou que as mãos trêmulas do médico ainda estavam manchadas de
sangue. Percebeu então que o jovem carregava uma bolsa de instrumentos
cirúrgicos, incongruente com seu traje civil.
— O que pretende fazer, doutor?
— Ajudar. Tenho… isto. — Abriu a bolsa revelando uma lanceta e uma
adaga de prata. — E conhecimento de anatomia. Se aquilo é um parasita dos
mortos, deve haver um modo de eliminar.
O
vigário tomou uma decisão:
— Venha comigo. Há alguém que precisa ouvir
isso.
O
sol já se punha quando padre Pedro e o Dr. Álvaro alcançaram a outra margem do
Beberibe, onde a mulher os esperava. Sua origem e seu nome verdadeiro eram uma
incógnita, mas ela conhecida como Irerê, tal qual a ave, e era admirada na
comunidade que fundou. O vento carregava o cheiro de água salobra e folhas
secas. Ela estava sentada sobre uma pedra, envolta em um xale escuro, os olhos
fixos nos recém-chegados como se já os esperasse há tempos.
—
Vocês precisam de mim — disse ela, antes que qualquer palavra fosse
pronunciada. A voz era calma, mas carregada de um peso que fez ambos se
entreolharem.
—
Mas por esta noite, estamos a salvo. O demônio gosta de surpresas. Não agirá
enquanto o esperam.
O
padre Pedro sentiu um alívio passageiro, mas o médico franziu a testa.
—
Como pode ter tanta certeza?
Irerê
sorriu, um gesto que não chegou aos olhos.
—
Porque ele já os enganou antes. Enterraram-no de novo, não foi?
Ela
não estava errada. Mais cedo, após o tumulto no cemitério, as autoridades
haviam transferido o corpo do romeno para uma nova cova, mais funda, encostada
ao muro leste de Santo Amaro. Cobriram-na com pedras, tijolos e uma camada de
cimento, como se a solução estivesse na espessura da terra. O coveiro que
edificou o mausoléu gracejou afirmando que sua obra deteria o morto persistente
até o Juízo Final. A comissão deu o caso por encerrado, satisfeita com a
própria incompetência.
O
padre apertou o rosário no bolso, sentindo o peso daquela decisão apressada.
—
Não foi o suficiente.
A
mulher ergueu um cesto de palha que estava ao seu lado, revelando folhas secas,
um punhal enferrujado e uma garrafa de vidro com um líquido turvo.
—
Nada do que fizeram até agora foi suficiente. Mas enquanto ele estiver sob
aquelas pedras, preso à terra, temos tempo.
O
Dr. Álvaro estudou os objetos com curiosidade científica, mas não questionou. A
noite caía rapidamente, e as sombras ao longo do rio pareciam se alongar, como
dedos famintos.
—
Então o que faremos? — perguntou o
padre.
A
mulher olhou para o céu, onde as primeiras estrelas começavam a cintilar.
—
Amanhã, quando o sol estiver alto, voltaremos ao cemitério. Mas por agora… —
ela estendeu a mão, oferecendo-lhes um punhado de ervas secas. — Guardem isso
consigo. Afasta os olhos dele.
Enquanto
os dois homens aceitavam o talismã improvisado, do outro lado do rio, nas
profundezas do Cemitério de Santo Amaro, as pedras que selavam a nova cova
permaneciam imóveis.
Por
enquanto.
O
jazigo do romeno tornou-se um ponto de peregrinação macabra. Enquanto os
túmulos vizinhos acumulavam flores murchas e velas apagadas, o dele recebia
cuspes, pedradas e maldições rabiscadas nas pedras. Alguns vinham por ódio,
outros por curiosidade mórbida — poucos saíam sem sentir um frio na espinha.
Irerê
observou tudo com desdém enquanto o padre Pedro e o doutor Álvaro examinavam a
sepultura reforçada.
Ela
cuspiu no chão.
—
Paredes não seguram demônios — murmurou, passando os dedos sobre as rachaduras
no cimento — Algo lá dentro respira.
Os
dois homens olharam para ela esperando uma explicação, mas a feiticeira já se
afastava.
—
Voltarei numa noite sem lua — anunciou sem olhar para trás.
Na
noite escolhida, sem lua e com o céu coberto, Irerê voltou ao cemitério
sozinha. Seu fogareiro de barro soltava uma fumaça preta espessa que cheirava a
ervas amargas e terra molhada. Os cânticos em língua africana ecoavam entre os
túmulos, e os gatos que costumavam rondar o local fugiram como se reconhecessem
o perigo.
Então,
ela sentiu uma vibração vinda de baixo da terra, como um coração que não
deveria bater. Não era o morto se mexendo — era algo pior. Ele estava sonhando.
E nos sonhos do strigoi, a fome era um animal vivo, roendo as entranhas da
cidade.
Irerê
sabia agora: ele se levantaria em uma noite de lua cheia, mas ela seria capaz
de saber exatamente quando.
Ao
longe, na direção do rio, um cachorro uivou. A feiticeira apagou o fogareiro
com um punhado de terra e sumiu na escuridão.
Era
hora de avisar o padre e o médico. Precisavam estar prontos.
Enquanto
isso, a cidade respirava aliviada e ignorante. As últimas mortes brutais haviam
cessado, e os jornais já tratavam o caso como coisa superada. Nas ruas,
cantadores improvisavam versos para arrancar risos dos bêbados:
“Dizem
que o morto anda,
mas
eu cá duvido tanto…
Se
vampiro existisse,
já
teria levado meu cunhado!”
Até
então os registros indicavam 35 mortos pela estranha doença hemorrágica
provocada pelo misterioso toque da criatura. As autoridades atribuíam óbitos a
“febres malignas” e “humores pestilentos”. Nenhum médico ousava contradizer a
narrativa oficial — exceto Álvaro, cujos relatórios desapareciam
misteriosamente das gavetas do conselho de saúde.
O
sol mal havia nascido quando padre Pedro acordou com um pressentimento
estranho. Seus dedos tropeçaram no rosário durante a primeira oração, e em
plena a missa matinal, confundiu as palavras da consagração fazendo os fiéis
trocarem olhares preocupados.
Na
outra margem do Capibaribe, o Dr. Álvaro examinava um paciente com febre quando
suas mãos tremeram sem motivo. O vasilhame metálico que continha um medicamento
escorregou de sua mão, batendo no chão com um tinido que ecoou pela sala vazia.
Enquanto
isso, Irerê atendia no terreiro. Uma moça perguntava sobre seu futuro amoroso
quando a feiticeira interrompeu a leitura dos búzios:
—
Volte amanhã. Hoje os espíritos falam de outra coisa.
Ela
saiu sem cerimônia, deixando os presentes perplexos. Seus pés descalços já
sentiam a vibração da terra.
Diante
do portão do cemitério, os três se encontraram quando o sol começava a se pôr.
Irerê carregava uma estaca de pau-ferro — madeira tão dura quanto o nome
sugeria — e seus amuletos tilintavam suavemente a cada passo. O médico ajustava
suas lâminas de prata na bainha e no bolso, os dedos inquietos. Padre Pedro
segurava a Bíblia como se fosse um escudo, a água benta balançando em seu
frasco de vidro.
—
Ele vem hoje — afirmou Irerê, os olhos fixos no portão do cemitério.
O
ar pesava como antes de uma tempestade. Nenhum grilo cantava, nenhum morcego
cruzava o céu alaranjado. Apenas o tilintar dos amuletos de Irerê quebrava o
silêncio.
Quando
as primeiras estrelas apareceram, Irerê caiu de joelhos. Seus dedos
enterraram-se na terra seca.
—
Está acontecendo… — murmurou.
O
tremor começou nas pernas dela — uma vibração sutil que logo se espalhou pelo
solo. Pedrinhas saltaram no chão como se algo enorme estivesse se virando sob a
terra. Com o tempo, ela sentiu o solo vibrar feito o mar agitado. Era quase
meia-noite. O padre Pedro fez sinal da cruz. O médico puxou a lâmina da bainha.
O
mausoléu de pedra e cimento permanecia sólido — seu construtor fez um bom
trabalho. O strigoi tinha outra maneira de voltar à superfície. Escavou seu
caminho como um verme paciente, contornando a armadilha construída pelos vivos.
A terra amontoada ao lado do túmulo testemunhava seu metódico trabalho
subterrâneo.
Quando
emergiu, foi com uma graça sinistra. Seu corpo esguio, vestido em trapos de
mortalha, projetou-se no ar em um salto impossível, arqueando sobre as cabeças
do padre, do médico e da feiticeira — um vulto negro contra o céu noturno.
Aterrissou
atrás deles sem fazer ruído.
Irerê
girou primeiro, seus amuletos tilintando violentamente. O médico Álvaro
engasgou ao ver os olhos do morto-vivo. Padre Pedro sentiu as palavras sagradas
morrerem em sua garganta.
A
criatura maligna não atacou imediatamente. Esticou seu pescoço ossudo com um
estalo seco, estudando seus oponentes com um olhar que pesava suas almas.
Seus
lábios retraíram-se, revelando dentes que não eram caninos afiados, mas sim
fileiras perfeitas de pequenas agulhas amarelas — como os de um morcego
vampiro. Uma gota de saliva escura escorreu de seu queixo.
Três
figuras contrastantes enfrentavam a criatura sob a luz prateada da lua. Padre
Pedro, de cinquenta anos, alto e compleição frágil, segurava a Bíblia com mãos
que mais conheciam a oração do que a luta. O Dr. Álvaro, jovem médico de mãos
cirúrgicas, foi o primeiro a agir. Sua lâmina de prata descreveu um arco
preciso antes de cravar-se no abdômen da criatura, provocando um corte reto
profundo em suas entranhas. Apesar desse feito, o strigoi não demonstrou sentir
dor; no entanto, revelou uma vulnerabilidade: ele sangrou.
O
padre recitava em voz alta e com autoridade ordens em latim, utilizadas pelos
mais notáveis exorcistas. Pareciam inúteis em uma batalha; porém, desnorteavam
o morto errante mais por sua sensibilidade aos sons do que pelo conteúdo do que
era dito. A gélida água benta espirrada em seu couro seco correu onde tocou:
ele não era muito diferente de outros demônios menores vencidos por homens da
Igreja.
Irerê,
pequena como o pássaro que lhe dava o nome, movia-se com graça numa espécie de
transe. Talvez seus ancestrais estivessem com ela naquele instante e seus olhos
vidrados vissem além do mundo material. A estaca de pau-ferro em suas mãos
girava como extensão de seu corpo, encontrando os pontos fracos entre os trapos
da mortalha do oponente.
O
strigoi foi surpreendido, mas não estava rendido. Ao contrário, estava cada vez
mais irritado. Ele reagiu com movimentos que desafiavam a lógica humana. Quando
a água benta do padre respingou em seu rosto, a carne fumegou e escureceu
instantaneamente. A criatura recuou, seu corpo contorcendo-se em silêncio.
A
estaca de Irerê encontrou seu alvo na junção do pescoço. O impacto fez o
morto-vivo arquear-se para trás, um jorro sanguinolento escorrendo da ferida. O
médico aproveitou para utilizar sua lâmina, cravando-a novamente no torso
esquelético.
Padre
Pedro avançou então, aspergindo o resto da água benta sobre a criatura. O
líquido sagrado queimou como ácido, abrindo sulcos negros na carne ressequida.
O strigoi caiu de joelhos, seu corpo finalmente cedendo.
Os
três combatentes cercavam a criatura no pátio do cemitério. Padre Pedro, suando
sob a batina, ergueu a Bíblia com mãos trêmulas. Seu latim soava agora mais
como súplica do que comando. O Dr. Álvaro, de respiração ofegante, segurava a
lâmina de prata como se fosse uma espada de um cruzado. Irerê circulava como
uma sombra, sua estaca de pau-ferro pronta para o golpe decisivo.
A
besta revidou. Um movimento seco e econômico — sua garra direita atingiu o
peito do médico, rasgando a roupa e deixando quatro sulcos vermelhos. Álvaro
caiu de joelhos, a lâmina escapando de seus dedos ensanguentados.
Irerê
avançou então. Sua estaca atingiu o flanco da criatura, mas o strigoi girou com
velocidade surpreendente. Seu braço esquerdo atingiu a feiticeira no queixo,
jogando-a vários metros para trás. Ela rolou no chão, perdendo a estaca no
impacto.
Padre
Pedro foi o último. Seus lábios ainda moviam-se em oração quando o strigoi se
voltou para ele. Não houve drama no movimento — apenas um simples arco da garra
direita, tão preciso quanto o golpe de um carrasco.
A
mão ossuda atingiu a têmpora do padre com um estalo seco. Um golpe fatal. Pedro
caiu como um boneco de pano, seus olhos ainda abertos, fixos no céu noturno. A
Bíblia escorregou de seus dedos inertes, abrindo-se aleatoriamente em uma
página qualquer.
O
tempo parecia ter parado. O corpo do padre já estava frio no chão quando Álvaro
e Irerê se recompuseram. Não houve luto, não houve hesitação. Precisaram
encontrar força em um poder que o strigoi não possuía: a vontade de viver.
A
dor era um detalhe distante. Irerê rolou pelo chão como uma gata selvagem, os
dedos encontrando a estaca de pau-ferro com precisão. Álvaro, mesmo com o peito
ardendo em quatro linhas de sangue, agarrou sua adaga e a lanceta cirúrgica.
Seus dedos não tremiam.
Eles
se olharam. Um segundo bastou.
O
strigoi, ainda voltado para o cadáver do padre, não percebeu o movimento até
ser tarde demais.
Álvaro
avançou com as lâminas cruzando-se no ar. A adaga de prata cravou-se na
vértebra C1, enquanto a lanceta cirúrgica perfurava o lado oposto do pescoço,
como se estivesse dissecando um cadáver em uma necrópsia. Um estalo seco ecoou
— a cabeça do strigoi inclinou-se para trás, presa apenas por tiras de carne
negra. Simultaneamente Irerê não deu chance. Sua estaca mergulhou no peito da
criatura, perfurando o esterno com um ruído úmido.
O
corpo do strigoi arqueou-se, os braços se contorcendo em espasmos finais.
Então, caiu.
Álvaro
e Irerê ficaram de pé, respirando pesadamente. O silêncio que se seguiu foi
quebrado pelo som de botas se aproximando — os guardas da cidade, atraídos pelo
tumulto, chegavam com pistolas em mãos e sabres prontos para os golpes.
A
cena que encontraram era clara: Dois sobreviventes, ensanguentados, mas firmes.
E, entre eles, o cadáver decapitado e empalado do strigoi, finalmente imóvel.
Durante
a tarde seguinte, na Igreja de Santa Cruz, um caixão simples abrigava o padre
Pedro. Irerê, vestida de preto, mantinha os olhos baixos, seus dedos enroscados
em um rosário emprestado — ironia que não passou despercebida por Álvaro. O
médico, de cabeça inclinada, observava as flores sobre o caixão, seu peito
ainda enfaixado sob o fraque.
O
bispo recitava os salmos, evitando cuidadosamente qualquer menção às
circunstâncias da morte. Na última fila, dois soldados de uniforme observavam
atentos — sentinelas postadas pelo Barão de Mamoré, presidente da província,
para garantir que o segredo fosse mantido.
Quando
a terra começou a cair sobre o caixão do vigário, Irerê jogou um punhado de
ervas secas na cova — gesto rápido que só Álvaro percebeu. O médico, por sua
vez, deixou cair sua lanceta de prata entre as pás de terra. Nenhum dos dois
comentou.
Antes
do anoitecer, sob ordens do Barão, os restos do strigoi foram levados para um
terreno baldio nos arredores do Recife. Nenhum registro oficial mencionaria
aquele ato. Nenhum boletim policial descreveria o conteúdo daquela pira
funerária improvisada.
Irerê
e Álvaro observaram de longe enquanto as chamas consumiam os últimos vestígios
da besta saída do próprio túmulo. O fogo crepitava baixo, como se relutasse em
tocar aquela carne maldita. O cheiro de enxofre persistiu no ar por horas
depois que as cinzas se dispersaram ao vento.
No
Cemitério de Santo Amaro, a cova foi aterrada novamente, sem lápide ou
marcação. Na Igreja de Santa Cruz, os registros paroquiais listaram o padre
Pedro como vítima de “febre repentina”. No palácio do governo, o Barão assinou
um decreto classificando quaisquer relatos sobre “mortos que andam” como
propaganda liberal subversiva.
Os
jornais da tarde traziam notícias sobre a colheita de cana e os rumores de
novas revoltas liberais. Nenhuma linha sobre o monstro enterrado duas vezes no
Cemitério de Santo Amaro. O Recife seguiu adiante. As pessoas comuns voltaram a
temer apenas os perigos reais — a febre amarela, o poder desmedido dos senhores
de engenho e os soldados imperiais.
Álvaro
retomou suas rondas médicas e depois voltou para Portugal. Irerê continuou a
ler o futuro de quem não tinha paciência de esperar o destino. Resolveu
posteriormente ir embora para algum paradeiro tão obscuro quanto sua origem.
O
Strigoi de Santo Amaro nunca existiu.
NOTA DO AUTOR:
O Strigoi é uma figura do folclore romeno, descrita como um espírito reanimado
ou uma criatura vampiresca. Acredita-se que esses seres sejam os espíritos
inquietos dos mortos que retornam para atormentar os vivos. A origem do termo
vem do latim strix, que significa coruja, e está relacionada a crenças
sobre bruxas e seres sobrenaturais. Segundo as lendas, eles se alimentam do
sangue ou da energia vital dos vivos, espalham doenças e podem transformar
outros em criaturas como eles. Apesar de semelhantes, o Strigoi difere do
vampiro clássico popularizado na literatura, pois não tem uma figuração
sedutora disfarçada entre os vivos. Sendo um tipo de revenant (entidade
com questões pendentes que precisam ser tratadas após a morte) muitas vezes
ligado a indivíduos que tiveram morte violenta, vida de pecados ou que foram
amaldiçoados em vida. Há relatos históricos de pessoas que foram consideradas
Strigoi, o que aumentou a repercussão a respeito desse tipo de criatura
soturna.
Fonte: Fabulae noctis
https://fabulaenoctis.wordpress.com/2025/05/21/o-strigoi-de-santo-amaro/
Sobre o autor: Paulo Alexandre Filho é
professor da rede pública estadual de Pernambuco, mestre em História pela UFPE,
licenciado em História pela UFRPE, com especializações em ensino da História
(UFRPE) e Direito Educacional (UNIARA/SP). Mantém na Internet os sites
HistóriaBlog https://historiablog.org/ e
Fabulae Noctis https://fabulaenoctis.wordpress.com/

Comentários
Postar um comentário