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GIL BRALTAR - Conto Clássico Insólito - Júlio Verne

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GIL BRALTAR Tradução de Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (1853-1930). Adaptação textual: Paulo Soriano Eram uns setecentos a oitocentos, pelo menos. De estatura média, mas robustos, ágeis, flexíveis, feitos para os saltos prodigiosos, cabritando, aos derradeiros clarões do Sol, que se punha para além das montanhas escalonadas, ao oeste da montanha. O disco avermelhado desapareceu em seguida, e a escuridão começou a fazer-se no meio dessa bacia emoldurada pelas longínquas serras de Sanorra, de Ronda e do desolado país do Cuervo. De súbito, todo o bando se tornou imóvel. Acabava de aparecer o seu chefe nessa espécie de magro costado de burro, que forma a crista do monte. Do lugar onde estavam postados os soldados, na extrema sumidade do enorme rochedo, absolutamente nada se podia ver do que se passava debaixo das árvores.  — Sriss!... Sriss!... — fez o chefe, cujos lábios, erguidos em forma de cauda de galinha, deram a este assobio uma intensidade extraordin...

O ASA-NEGRA - Conto Macabro - Artur Azevedo

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O ASA-NEGRA Artur de Azevedo (1855 – 1908) Quando, em 185... poucos momentos antes de nascer Raimundo, sua mãe curtia as dores do parto e curvava-se instintivamente, agarrando-se aos móveis e às paredes, mandaram chamar a toda pressa a única parteira que naquele tempo havia na pequena cidade de Alcântara. A comadre prodigalizava, naquele momento, os cuidados da sua arte hipotética à mãe de Aureliano, que era mais rica. Só algumas horas mais tarde pôde acudir ao chamado; mas já não era tempo: a mãe sucumbira à eclampsia; o filho salvara-se por um milagre, que ficou até hoje gravado na tradição obstétrica de Alcântara. O pobre órfão devia sofrer, enquanto vivesse, as terríveis consequências, não só da inépcia das mulheres que assistiram a sua mãe, como do falecimento desta. Era aleijado, entanguecido, e tinha a cabeça singularmente achatada, nas cavidades frontais, pela pressão grosseira de dedos imperitos. Um menino feio, muito feio. * Quando Raimundo ent...

PERDIDO - Conto de Terror - Fernando Ferric

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PERDIDO Fernando Ferric Carlos estava caminhando entre os túmulos, olhava lápide por lápide, era um dia cinzento e frio. Ele admirava a beleza daquele cemitério, o silêncio, o aroma das flores, a arte dos túmulos perfilados. Poderia permanecer horas naquele local; sentia uma paz absoluta, que só foi quebrada quando um velhinho estabanado se aproximou por trás dele. "Meu filho... meu filho... Por favor, me ajude!" O coração de Carlos quase saltou pela boca. Virou, assustado, e avistou aquele senhor magro, grisalho, com um rosto sofrido, já marcado pelo tempo. Seu susto e sua raiva se transformaram em dó, em vontade de ajudar o frágil senhor. "O que o senhor deseja?" "Meu filho... Estou perdido", respondeu o senhor retirando do casaco um cartão azul. "Já não consigo enxergar essas letras tão pequenas, preciso encontrar este local." Carlos pegou o cartão, era do próprio cemitério, indicava o lote e a quad...

ELA - Miniconto de Horror - Linx

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ELA Linx Lá estava eu com ela novamente, a coisa mais bela que já pisou nessa terra maldita. Era nosso segundo Ano Novo juntos e como sempre meu coração gritava de alegria e meus olhos se enchiam de lágrimas em vê-la ali, por mais um ano comigo, me aguentando. Meu Deus, como pode! Uma mulher tão linda assim ao meu lado! O branco de sua pele, seus lindos olhos negros fixos em mim, seus belos lábios… Tivemos muitas brigas esse ano, pois, admito, meu ciúme é meio doentio, mas claro tinha que ser, pois quem não teria ciúme de uma mulher tão linda! É algo tão normal ter medo de perder um anjo em sua vida! Mas lá estava ela! Seu corpo divinal, seus seios, colo, pernas, tudo era perfeito e nada a estragava e, com seu rigor mortis já se esvaindo, seu corpo começava a voltar a ter sua maciez novamente e nós teríamos nossa noite! Na nossa cama, ainda suja de sangue, nós tivemos uma noite mágica e junto às moscas e uns pequenos vermes, que brotavam de seu corpo, nós éramos per...

AR - Conto Clássico de Horror - Emília Pardo Bazán

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AR Emilia Pardo Bazán (1851-1921) Tradução de Paulo Soriano    — Temos aqui outra louca. Esta, porém, é interessante — disse-me o diretor do manicômio, despois da aflitiva visita à ala feminina. —Outra louca que forma o mais perfeito contraste com as infelizes que acabamos de ver, e que se agarram ao capote dos visitantes com riso cínico... E tenha o senhor em conta que esta louca está apaixonada. Mas apaixonada até o delírio. Fala apenas de seu noivo. Ele, por sinal, desde que a pobrezinha foi internada, não veio vê-la uma vez sequer. Acaso suprimido o amor — creio — esta jovem estaria completamente lúcida. Verdade que a mesma coisa acontece com muitos mortais. A paixão é, talvez, uma espécie transitória de alienação mental, desde que nos civilizamos. — Não —redargui. —É na Antiguidade onde, precisamente, se encontram os casos característicos da paixão: Fedra, Mirra, Hero e Leandro [1] . —Ah! Mas já então a espécie estava civilizada. Eu me refiro a épocas mai...

BEIJOS GELADOS - Conto de Terror - Fernando Ferric

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BEIJOS GELADOS Fernando Ferric Seus olhos brilharam quando ela viu aquele corpo. Com as pontas dos dedos, ela podia sentir a temperatura e a maciez daquela pele branca totalmente despida. Camille também se despiu e começou a alisar o peito, os braços, as pernas, sentir cada músculo. Seu corpo tremia de prazer. Com os lábios, sentia o sabor... Era algo inexplicável. O prazer só dependia dela. Apreciava beijar aqueles lábios frios, lambê-los... Fazia suaves movimentos circulares com a língua. Subiu em cima dele e simulou uma penetração impossível. Enquanto se esfregava e gemia de prazer, olhava para o amigo que a assistia no canto da sala, sentado em uma cadeira. Enquanto fazia isso, tocava suas partes intimas, excitando-as. Marcos adorava ver aquilo. No entanto, já era tarde. Sussurrando para não ser ouvido, pediu para que ela terminasse, pois os familiares já estavam na sala ao lado, esperando o ente querido. Ele precisava terminar os preparativos, maquia...