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DESEJOS DE NATAL - Conto de Terror - Lino França Jr.

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DESEJOS DE NATAL Lino França Jr. O relógio parecia acelerar seu compasso minuto a minuto. Minha vista cansada começava a embaçar em frente ao computador. Eu era o único no escritório naquela véspera de Natal. Minha mulher já havia me ligado cinco vezes relatando a chegada de cada um dos familiares à nossa casa. Eu precisava terminar aquele relatório, caso contrário, minhas férias, pós-Natal, estariam comprometidas e nossa viagem para o litoral teria de ser adiada. Onze horas da noite, essa era minha meta. Teria tempo de chegar em casa, tomar um rápido banho e cear com a família e os amigos. Finalmente terminei o trabalho. Não teria tempo de revisá-lo, mas não poderia me dar a esse luxo também. Meu planejamento estava dentro da proposta inicial. Saí do estacionamento do prédio e enquanto dirigia notava as ruas vazias. As avenidas enfeitadas e iluminadas contrastavam com alguns mendigos jogados pelas calçadas. A vantagem de dirigir àquela hora era contar com as ruas ext...

LANÇAMENTO DA EDITORA MONDRONGO - NARRATIVAS FANTÁSTICAS DO MALLEUS MALEFICARUM- Kramer e Sprenger - Tradução de Paulo Soriano

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NARRATIVAS FANTÁSTICAS DO MALLEUS MALEFICARUM LANÇAMENTO DA EDITORA MONDRONGO A EDITORA MONDRONGO tem o prazer de convidar os leitores e leitoras dos “Contos de Terror” para o lançamento do livro “ Narrativas Fantásticas do Malleus Maleficarum ”, a realizar-se na quinta-feira, 19 de dezembro de 2019, a partir das 18:30h, no Restaurante Gibão de Couro, Salvador/BA. Autorizados pelo papa Inocêncio VIII, os inquisidores dominicanos Heinrich Kramer (c. 1430 – 1505) e Jakob Sprenger (1435 – 1495) publicaram, em 1487, o mais completo e conhecido tratado sobre bruxaria, o Malleus Maleficarum . Este livro, também conhecido como O Martelo das Feiticeiras (ou das Bruxas ), se tornou o mais importante manual de caça às bruxas da Inquisição católica.  Com lastro em suas lições teológicas e orientações jurídicas, mais de cem mil pessoas foram levadas à morte cruel, pelo garrote e pela fogueira, nos quatro séculos que se seguiram à sua publicação. Para ilustrar as suas can...

UM CASO MONSTRUOSO- Amante de uma morta -TERRÍVEL LUA DE MEL — Autores anônimos do início do séc. XX

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UM CASO MONSTRUOSO Amante de uma morta TERRÍVEL LUA DE MEL Autores anônimos do início do séc. XX O “Jornal do Commercio” (AM), na edição de 31/12/1907, narrou uma história real para além de macabra: Em Rocca d’Evandro, aldeia da província de Caserta, na Itália, Giuseppe d’Alessandro, homem de quarenta anos, alto e simpático, amava loucamente Elvira Scalingi, que lhe tributava igual amor, mas cujos pais não aprovavam tal afeição, preferindo que ela casasse com um ricaço da mesma província. Elvira, amargurada com a oposição dos pais dos pais, adoeceu e morreu. Em setembro último, um cidadão qualquer alugou uma casinha na aldeola de Vitulano. Fez conduzir para lá alguns móveis, e ali se encerrou sozinho, não recebendo ninguém, e comprando da janela ou da porta o indispensável à sua subsistência. Ao senhorio, disse chamar-se Ludovico Krebel. Os vizinhos consideravam-no um misantropo, um excêntrico, e acabaram por não pensar mais nele. Mas há dias, uma ...

AS MACABRAS TRAVESSURAS DE UM LOUCO - Narrativa Fúnebre Verídica - Anônimo do Séc. XIX

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AS MACABRAS TRAVESSURAS DE UM LOUCO Anônimo do séc. XIX O “Corriere della Sera”, de Milão, em sua edição de 19 de março último, publicou um telegrama de Constantinopla dizendo ser assunto de todas as conversas na capital do Império Otomano, provocando hilaridade irrepressível, um fato ocorrido no Hospital Armênio de Taksim, pelo modo extraordinário com se desenrolou. Se bem que, no fundo, seja tristemente macabro. No referido hospital, há uma divisão destinada aos loucos considerados pacíficos, que não têm acessos violentos e sobre os quais não se exerce vigilância especial. Esses pobres seres podem, por isso, passear livremente no jardim do hospital, sem que ninguém com eles preocupe. Há poucos dias, tendo falecido um enfermo, foi o corpo colocado numa padiola e conduzido à câmara mortuária do hospital, de onde, no dia seguinte, seria transportado para o cemitério. O cadáver foi coberto por um lençol, e quatro círios a arder foram colocados aos lados do féretro. Aconte...

HISTÓRIA DE UMA APARIÇÃO DE DEMÔNIOS E ESPECTROS EM 1609 - Conto Clássico de Terror - Charles Nodier

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HISTÓRIA DE UMA APARIÇÃO DE DEMÔNIOS E ESPECTROS EM 1609 Charles Nodier (1870 – 1844) Um cavalheiro da Silésia convidou alguns amigos para um grande jantar, mas estes se escusaram do banquete. O cavalheiro, decepcionado por se encontrar sozinho no jantar, quando planejava dar uma festança, ficou muito aborrecido e disse: —Como ninguém quer jantar comigo, que venham todos os demônios! Dizendo tais palavras, saiu de casa e entrou na igreja, onde o padre pregava. Enquanto ouvia o sermão, homens a cavalo, sombrios como a noite, e ricamente vestidos, entraram no pátio de sua casa e pediram aos criados que fossem informá-lo de que seus convidados haviam chegado. O criado, muito assustado, correu à igreja e contou ao seu mestre o que estava acontecendo. O gentil-homem, estupefato, demandou o pároco, que terminara sermão. O padre se dirigiu, sem pensar duas vezes, ao pátio da casa em que os homens sombrios haviam entrado. Ordenou que toda a família fosse tirada de lá. I...

DEIXA OS MORTOS EM PAZ - Conto Clássico de Terror - Ernst Raupach

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DEIXA OS MORTOS EM PAZ Ernst Raupach (1784-1852) Walter suspirava dolorosamente pelo falecimento de sua amada esposa Brunilda. Era meia-noite e ele estava junto ao túmulo, no momento em que o espírito que urra nas tempestades lança suas malditas legiões de monstros. Lamenta-se todas as noites junto à cripta, sob as árvores geladas, apoiando a cabeça na lápide de sua esposa. Walter era um poderoso cavaleiro da Burgúndia. Havia-se casado com Brunilda em sua juventude, quando os dois se amavam loucamente, mas a morte a arrebatou de seus braços. Ele ainda sofria, apesar de estar novamente casado com uma linda mulher chamada Swanhilde, que era o oposto de sua mulher: dama loira, de olhos verdes e de faces rosadas, e que lhe legara um filho homem e uma menina. Walter não encontrava descanso: ainda amava Brunilda e desejava com toda a alma tê-la junto a si. Ele constantemente comparava sua esposa viva com a morta. Swanhilde notou a mudança no marido e se desesperava para c...