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O ESPÍRITO DO CASTELO EGMONT - Narrativa Clássica Sobrenatural - Jean Regnalt de Segrais

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  O ESPÍRITO DO CASTELO EGMONT Jean Regnalt de Segrais (1624-1701) Tradução de Paulo Soriano   O Sr. Patris havia acompanhado o Sr. Gaston até a Flandres, hospedando-se no castelo de Egmont. A hora do jantar havia chegado e, ao sair do quarto, dirigindo-se à sala de jantar, parou à porta de um oficial amigo seu, para que o acompanhasse. Bateu suficientemente forte. Vendo que o oficial não atendia, bateu pela segunda vez, chamando-o pelo nome. O oficial não respondeu. Como Patris não duvidava que o amigo estivesse no quarto, pois a chave permanecia na porta, abriu e, ao entrar, viu o seu amigo sentado em frente a uma mesa, num estado tal que parecia fora de si. Aproximou-se bem de perto e perguntou o que lhe acontecia.  O oficial, voltando a si, disse ao seu amigo: —Se tivesse visto o que acabei de ver, você não ficaria menos surpreso do que eu:  este livro mudou sozinho de lugar e suas páginas passavam por si mesmas. Era o livro de Cardano [1] sobre a suti...

UMA ALMA DO OUTRO MUNDO - Conto Clássico de Mistério - Anônimo Francês do Século XIX -

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  UMA ALMA DO OUTRO MUNDO Anônimo Francês do Século XIX   I   — Meu caro senhor, sei que tem uma linda casa de campo, que me convém perfeitamente. Desejo alugá-la. — Essa casa do campo! Sim, senhor, ela é minha. Mas eu não a alugo — respondeu o velho homem ao cavalheiro que lhe falava. — Mas, por quê? — Porque, senhor — respondeu o outro, chegando-se com mistério e falando baixo —, tenho sofrido muito por causa dos inquilinos. Chamam-me de feiticeiro. Dizem que tenho pacto com o diabo e... — Como assim? — Já lhe conto — respondeu ele, olhando para todos os lados. — Na casa, aparecem fantasmas e asseguram que mesmo objetos desaparecem e nunca são encontrados. Uma senhora gravemente enferma, que se achava quase restabelecida, recaiu perigosamente naquela agradável habitação, e daí a dois meses morreu, falando sempre, nos seus delírios, em uma alma do outro mundo. Outra, que se quis fazer de animosa, enlouqueceu. Finalmente, um menino perdeu a fala. Bem v...

O VAMPIRO ARNALD PAUL - Narrativa Clássica Sobrenatural - Augustin Calmet

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  O VAMPIRO ARNALD PAUL Augustin Calmet (1672 – 1757) Tradução de Paulo Soriano     Há cerca de cinco anos, um certo heiduque [1] , que vivia em Medreiga, chamado Arnald Paul , foi esmagado, numa queda, por uma carroça de feno. Trinta dias após sua morte, quatro pessoas morreram repentinamente, e da mesma maneira que, segundo a tradição do país, falecem os que são atacados por vampiros. Lembraram, então, que Arnald Paul costumava contar que, nos arredores de Caslova, perto da fronteira da Sérvia Otomana, havia sido atormentado por um vampiro turco. Acreditavam as pessoas que aqueles que eram vampiros passivos durante sua vida tornavam-se vampiros ativos após a morte; ou seja: os que foram sugados em vida, passavam a sugar o sangue dos vivos, quando mortos. Arnald Paul acreditava que houvera encontrado uma maneira de curar-se comendo a terra do sepulcro do vampiro e esfregando-se com seu sangue. Mas esta precaução que não o impediu de tornar-se vampiro após...

A CONDESSA DOS CÁRPATOS - Narrativa Clássica de Terror - Franz Hartmann

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  A CONDESSA DOS CÁRPATOS Franz Hartmann (1838 – 1912) Tradução de Paulo Soriano   Em 10 de junho de 1909, um importante jornal de Viena (o Neues Wiener Journal ) publicou a notícia de que o castelo de B* tinha sido queimado pela população. A causa do incêndio residiria em que, havendo uma grande mortandade entre os filhos dos camponeses da região, acreditava-se que aquele infortúnio se devia ao assédio de um vampiro, supostamente o último conde B*, que, depois de morto, adquiriu semelhante reputação. O castelo, que fora outrora uma fortificação erigida contra os turcos, situava-se numa parte selvagem e desolada dos Cárpatos. Não era habitado, porque se dizia que era mal-assombrado, e apenas uma ala era usada como moradia para o caseiro e sua esposa. Quando li a citada notícia, eu estava num café em Viena, na companhia de um velho amigo, que é um ocultista experiente e editor de um conhecido jornal, e que havia passado vários meses na vizinhança do castelo. Dele ...

OS ESPECTROS DE VILLANUEVA - Narrativa Clássica de Terror - Antonio de Torquemada

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  OS ESPECTROS DE VILLANUEVA Antonio de Torquemada (1507 – 1569)   Um caso muito notável aconteceu há pouco mais de trinta anos, a duas léguas de onde estamos, em um lugar chamado Fuentes de Ropel, onde vivia um ilustre e nobre fidalgo, cujo nome era Antonio Costilla.   Ademais, posso eu testemunhar que ele era um dos homens mais valentes e corajosos que havia em toda esta terra, pois eu o vi em alguns combates e rebeliões de mui grande perigo, dos quais se ele saiu com enorme valentia e coragem.   E porque ele era um homem que não aceitava desaforos, não era benquisto por certas pessoas; assim, estava sempre alerta. Certo dia, ele saiu de casa, montado num ótimo cavalo, com uma lança gineta na mão, e marchou para um lugar chamado Villanueva, onde esteve ocupado, a tratar de seus negócios, até o anoitecer. Já era muito tarde quando resolveu voltar para casa. À saída do lugar, havia um eremitério, guarnecido de grades de madeira na frente, em cujo interior...

O RECOLHEDOR DE ANDROIDES - Conto de Ficção Científica - Paulo Soriano

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O RECOLHEDOR DE ANDROIDES Paulo Soriano   Sempre odiei os androides. Embora não tenha sido o único, este foi o principal motivo pelo qual liderei, por vinte anos, o grupo de captura e recolhimento de robôs da Biogenez, a mais antiga e prestigiada empresa de fabricação de androides biológicos do mundo. Os seus produtos se confundem com a espécie humana a ponto de ser impossível identificá-los, se este for o desígnio de quem os fabricou ou os adquiriu. Todos sabem que os bioandroides imitam com perfeição o gênero humano. Raciocinam como qualquer pessoa e partilham de toda a gama de emoções próprias às das pessoas naturais, cujas funções orgânicas reproduzem cabalmente: até mesmo envelhecem. Mas quase nunca adoecem e não podem reproduzir-se, entre si ou com seres humanos. Limitação que, para mim, parece uma bênção. Por imitar o ente humano — este feito à imagem e semelhança de Deus —, um bioandroide já é, por si mesmo, uma aberração, um insulto à glória divina. Imagine você se...

O ÚLTIMO ATO MACABRO DE EDGAR ALLAN POE - Conto Fantástico - Marcelo Medone

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  O ÚLTIMO ATO MACABRO DE EDGAR ALLAN POE Marcelo Medone     Peter Orson Elsworth sempre acreditou na história que seu pai, Patrick Oswald Elsworth, lhe contara sobre suas iniciais POE serem devidas a um tributo familiar ao famoso escritor Edgar Allan Poe. Até mesmo seu avô, Percival Oliver Elsworth, seguiu a regra. Que o pai fosse fã do autor do poema “O corvo” e dos contos “O poço e o pêndulo”, “O barril de Amontilhado” e “A queda da casa de Usher”, estava fora de questão. Ele tinha obtido cada um de seus livros, com histórias de crime, ficção científica e terror, seus poemas, ensaios, artigos de jornal e até mesmo seu único romance, “A narrativa de Arthur Gordon Pym”. Dono de uma fortuna apreciável, Patrick Elsworth havia construído uma residência no estilo da abadia fortificada do Príncipe Próspero em “A máscara da Morte Rubra”, com seus sete quartos pintados e decorados em cores diferentes, seguindo o padrão da história: azul, púrpura, verde, laranja, branc...

O GAROTO QUE AMAVA UMA SEPULTURA - Conto Clássico Fúnebre - Fitz James O'Brien

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O GAROTO QUE AMAVA UMA SEPULTURA Fitz James O'Brien (1828-1862)   Bem longe, no coração de um país solitário, havia uma velha e desolada igreja. Em seu adro já não mais se enterravam os mortos, porque o campo santo já havia exaurido a sua missão há muitos anos. Agora, a relva crescida alimentava algumas cabras errantes que escalavam os muros em ruínas e percorriam o triste deserto de sepulturas. O cemitério era delimitado por salgueiros e ciprestes sombrios e o seu velho e enferrujado portão de ferro, que nunca ou raramente era aberto, gemia em suas dobradiças quando o vento o açoitava, como se alguma alma perdida, condenada a vagar nesse lugar desolado, estivesse balançando as suas barras e lamentasse a sua terrível prisão. Nesse cemitério havia um túmulo que se destacava dos demais. Na lápide não se lia nenhum nome: em seu lugar havia um curioso ornamento, rudemente esculpido, de um Sol saindo do mar. O túmulo, muito pequeno, estava coberto por uma espessa vegetação d...