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ENGRAVIDADA PELO DEMÔNIO - Conto Clássico de Terror - Thomas Bromhall

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ENGRAVIDADA PELO DEMÔNIO Thomas Bromhall (Séc. XVII) Tradução de Paulo Soriano   Em um país chamado Marra, havia uma jovem muito bela e galante, que havia recusado vários casamentos, e mui perversamente mantinha a companhia de um espírito maligno, pelos gregos chamados cacodemônios. Engravidada pela entidade, os seus pais a constrangeram, severamente, a confessar o que se passara. A jovem respondeu que não sabia bem o que ocorrera, mas que um jovem muito bonito a procurara muitas vezes à noite e, às vezes, de dia. Os pais, embora dessem pouco crédito à filha, desejavam sinceramente saber a verdade e descobrir quem a persuadiu e seduziu àquela lascívia. Três dias depois, a aia contou aos pais que aquele que corrompeu a jovem estava, naquele instante, com ela. Tendo destrancado as portas e trazido um luminoso castiçal, entraram na alcova e viram um monstro horrendo e imundo, de uma compleição tão amedrontadora que ninguém acreditaria, nos braços de sua filha. Ch...

FRUTO MALDITO - Conto de Horror - Manoel Tenório Jr.

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  FRUTO MALDITO Manoel Tenório Jr. (1961 – 2022)   O Sol de verão descortinava a madrugada que aos poucos desfalecia em sua penumbra e o dia ganhava cores. Revoada de pássaros, com cantos distintos, orquestrava melodiosamente a sinfonia da natureza exuberante. No interior da mata, uma névoa começava a se dissipar e a luminosidade entrava entre as folhas dos cacaueiros, que agradeciam o calor do astro-rei.   Era uma pequena plantação de cacau que, anos após laborioso e incansável trabalho, dera sua primeira safra.           Tamanha façanha rural fora praticada por dois sertanejos que fugiram da desdita de mais uma seca inclemente, a qual sempre fustiga terras interioranas do Nordeste brasileiro. Pedro Ambrósio da Silva e José Custódio de Jesus haviam se conhecido na estação de trem de Água Preta, há alguns anos, e, em consórcio, decidiram enfrentar as intempéries da hileia atlântica em busca de um destino melhor. Pedro Ambr...

O MONSTRO DA ANDALUZIA - Conto Clássico de Horror - Andrea Pescioni

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O MONSTRO DA ANDALUZIA Andrea Pescioni (Séc. XVI) Tradução de Paulo Soriano   Em 1563, na cidade de Jaén, Andaluzia, vivia uma senhora honesta e nobre que, em seu coração, propusera guardar a preciosa joia da continência de viúva; assim, ela e sua família viviam em grande recolhimento, ocupando-se em contínuas obras de virtude e no exercício contínuo da oração. Sendo a viúva uma pessoa venerável, era visitada por pessoas sérias e de autoridade e, em particular, por aqueles que a imitavam e seguiam seus louváveis ​​costumes; todavia quem mais continuamente a visitava em sua casa, e com ela conversava, era um padre que, na superfície, dava sinais de ser um homem de vida honesta e costumes virtuosos, mas que se descobriu, com o tempo, tratar-se de um lobo em pele de cordeiro. Assíduo naquela casa, o padre pôs os olhos numa serva daquela matrona e sua discípula em virtude. Tomado de desejo pela jovem, nele perseverou alguns dias sem ousar revelar sua vontade e intenções d...

O SENHOR DA MORTE - Conto Clássico Fantástico - Flora Annie Steel

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O SENHOR DA MORTE (Lenda indiana) Flora Annie Steel  (1847-1929) Tradução de Paulo Soriano   Há muito tempo, havia uma estrada em que todos que por ela transitavam encontravam a morte. Alguns diziam que a morte era causada por uma cobra; outros, atribuíam a fatalidade a um escorpião. Mas uma coisa era certa: todos os que percorriam aquela estrada morriam. Certa feita, um viajante — um homem muito velho — transitava pela estrada. Extenuado, sentou-se em uma pedra para descansar. De repente, bem perto de si, viu um escorpião do tamanho de um galo. Enquanto o homem o olhava, o escorpião transformou-se numa horrenda serpente.  O ancião, maravilhado, decidiu acompanhar a criatura, que se afastava, para descobrir o que ela realmente seria. A cobra rastejou dia e noite e, atrás dela, como uma sombra, seguia o velho homem. Certa vez, a serpente penetrou numa estalagem e matou vários viajantes; outra, entrou no palácio do rei e o matou. Em seguida, ele se...

O MAJOR E OS ESPECTROS CANTANTES - Narrativa Clássica Sobrenatural - Walter Scott

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  O MAJOR E OS ESPECTROS CANTANTES Walter Scott (1771 – 1832)   Um fidalgo, proprietário de certo palácio antigo, nos confins da Hungria, preparou uma festa digna da sua qualidade e da grandeza do antigo solar em que morava. Os hóspedes, necessariamente, foram muitos, e entre eles se achava um oficial de hussardos conhecido pela sua bravura e coragem. Tendo-se feito todos os arranjos necessários para que os convidados passassem ali a noite, disseram ao oficial que, com dificuldade, se poderia acomodar toda a gente no palácio, a não haver alguém que quisesse dormir em um quarto em que diziam haver fantasmas; e, como se sabia que ele não era medroso, lhe propuseram hospedar-se naquele quarto, enquanto se demorasse no palácio, como a pessoa que ali menos seria incomodada   O major agradeceu a preferência que dele se fazia e, tendo-se demorado até alta noite nos divertimentos da companhia, retirou-se, depois, ao seu quarto, jurando vingar-se de todo aquele que se ...

AVENTURA INCOMPREENSÍVEL - Conto Clássico de Terror - Marquês de Sade

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  AVENTURA INCOMPREENSÍVEL Marquês de Sade (1740 — 1814) Tradução de Paulo Soriano   Um periódico de 1799 assim se referia ao Marquês de Sade: “Só o nome deste escritor infame exala um odor cadavérico, que mata a virtude e inspira o horror. É o autor de ‘Justine ou as Desgraças da Virtude’. O coração mais depravado, a mente mais degenerada, a imaginação mais estranhamente obscena não são susceptíveis de conceber algo que ofenda tanto a razão, o pudor, a humanidade.” Embora tenha-se notabilizado por contos e novelas licenciosos, o Marquês de Sade (1740 — 1814) deixou algumas narrativas fantásticas. Em “Aventura Incompreensível” (cujo título completo é “Aventura Incompreensível Atestada por toda uma Província”), história escrita em 1788 — cerca de 18 anos antes publicação da primeira parte do “Fausto”, de Goethe —, Sade explora o tema da venda da alma ao Diabo em troca de uma vida plena de riqueza (e, aqui, libertinagem), com suas terríveis (e sangrentas) consequências quando ch...

INFERNO - Conto Fantástico Humorísitco - Ricardo Manzanaro

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  INFERNO Ricardo Manzanaro Tradução de Paulo Soriano   Um segundo após a sua morte, Roberto levou um terrível choque ao descobrir aonde fora parar. Um calor insuportável atacou a sua fisiologia, enquanto línguas de fogo enchiam o espaço visual e gritos horríveis o sonoro. Ele estava no Inferno. Então viu vários indivíduos estranhos sobre um pedestal. Torturavam impiedosamente um outro, que se contorcia de dor e emitia gritos horripilantes. Após alguns minutos de queima, esfaqueamento e espancamento daquele pobre ser, Roberto ficou chocado ao descobrir o que se estava acontecendo. Era um grupo de seres humanos torturando um demônio. Eles tinham dominado Satanás e todos os demônios. Eram muito piores e mais sádicos do que aqueles.  

A SEGUNDA CHANCE - Narrativa Clássica Sobrenatural - Thomas Bromhall

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  A SEGUNDA CHANCE Thomas Bromhall (Séc. XVII) Tradução de Paulo Soriano   Conta-se que um cavalheiro da Baviera, da mais nobre estirpe, ficou tão aflito pela morte da esposa que, rejeitando qualquer consolo, se entregou a uma vida solitária. Por fim, enquanto se lamentava desenfreadamente, a sua esposa, ressuscitada dos mortos, apareceu-lhe à noite e disse-lhe que, de fato, havia concluído seu curso natural nesta vida, mas que, devido ao aos seus insistentes lamentos, tivera a vida restaurada. Por concessão divina, poderia novamente desfrutar do vínculo conjugal, mas sob a condi çã o de que deveriam os esposos celebrar um novo casamento, presidido por um padre. Além disso, o marido deveria abster-se de todas as injúrias e palavras blasfemas que costumeiramente empregava, pois, em verdade, esta foi a principal — ou única — causa pela qual o varão havia sido privado de sua mulher.   Todavia, acaso ele proferisse qualquer palavra dessa natureza, a esposa des...

DOENTE - Conto Humorístico de Ficção Científica - Ricardo Manzanaro

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  DOENTE Ricardo Manzanaro Tradução de Paulo Soriano   Alberto achava que tinha uma nova doença para acrescentar à sua coleção: a síndrome de ansiedade depressiva. Ele estava destroçado. Seu ânimo estava na altura da Fossa das Marianas. Alberto não aguentava mais. O Destino, Deus ou algum alinhamento estelar o haviam condenado a uma vida de tortura. Ele terminaria mais cedo a contagem dos órgãos de seu corpo que ainda funcionavam adequadamente do que se o fizesse com aqueles que sofriam de alguma patologia. Sua vida era uma sucessão infinita de desconfortos. Naquele instante, estava à frente de seu médico de família, a quem tratava como se fosse um parente. O rosto e o tom de voz de Alberto são o exemplo mais diáfano de desespero e cansaço. Ele não cessava de pronunciar a frase "não aguento mais". Por isso, naquele momento, pedia ao médico visitante para ser encaminhado a um psiquiatra. Mas, quando o médico começou a falar, o conteúdo de suas palavras tomou um r...

O LADRÃO SAGAZ - Narrativa Clássica Macabra - Heródoto

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O LADRÃO SAGAZ Heródoto (c. 485 a.C. – c. 425 a.C.)   Rhampsinitos, rei do Egito, acumulou uma tão grande riqueza em prata que nenhum dos reis que vieram depois puderam superar ou, mesmo, ombrear-lhe a opulência. Esse rei, desejando conservar sua riqueza em segurança, mandou construir uma câmara de pedra e uma de suas paredes projetava-se além das muralhas de seu palácio. O construtor da câmara de tesouros dispôs uma das pedras de tal maneira que poderia ser retirada facilmente da parede por dois homens ou mesmo por apenas um. Concluída a câmara, o rei nela entesourou as suas riquezas. Depois de algum tempo, o construtor, sentindo a aproximação da morte, chamou os seus filhos, que eram dois, e contou-lhes sobre a pedra, cuja disposição fora feita para beneficiá-los. Acedendo à câmara, poderiam desfrutar de amplos meios de vida. E, havendo-lhes claramente instruído sobre tudo o que dizia respeito à retirada da pedra, disse-lhe que, se atinassem àquelas instruções, te...