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O ENFORCADO - Conto Clássico de Terror - Irmãos Grimm

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  O ENFORCADO Irmãos Grimm (Jacob Grimm [1785 – 1863] e Wilhelm Grimm [1786 – 1859])   Uma mulher idosa recebeu visitas em casa, já muito tarde da noite. Não tinha a velha senhora, todavia, comida em casa, e nem sabia o que preparar para os seus visitantes. Então, foi até uma forca, onde se achava dependurado um condenado, e lhe retirou o fígado. Depois, fritou as vísceras do enforcado e as serviu aos visitantes. À meia noite, bateram à porta da cabana. A velha senhora a abriu. Lá estava o homem morto, com os cabelos devastados, já sem olhos e com um ferimento no corpo. — Onde está o teu cabelo? — perguntou a velha mulher ao cadáver. — O vento o arrancou— respondeu o defunto. — E os teu olhos, onde estão? — Os corvos, bicando, os devoraram. — E o teu fígado, onde está? — Tu o comeste! E, dizendo isto, o cadáver mergulhou as unhas crispadas no ventre da mulher, retirou-lhe o fígado e partiu, levando consigo, na justa medida, aquilo que se lhe havia...

A FIGURA NA JANELA - Conto de Terror - José Helder Antunes

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  A FIGURA NA JANELA José Helder Antunes     Era noite e a chuva caía incessantemente. Escrevia coisas em meu diário, aleatoriamente. A verdade é que, em noites como aquela, eu costumava escrever poemas. Bem, as coisas, às vezes, não parecem ser o que são. Tudo estava calmo, os ponteiros do relógio batiam levemente, com a mesma calma em que eu escrevia. Tic-tac-tic-tac... De tempos em tempos, levava o chá até os lábios, um chá de camomila, extremamente amargo, para que meus nervos ficassem calmos e os meus pensamentos ficassem mais claros. Raios e trovoadas tomavam conta dos céus noturnos de Porto Velho, as luzes do alpendre de minha casa piscavam, como que quisesse apagar a qualquer momento. Eu estava sozinho — moro sozinho, para dizer a verdade — e já não me preocupava ou sentia medo de que coisas acontecessem. Sempre fui um homem corajoso, fui criado por pais cearenses, muito rígidos e austeros, além de me ensinarem a ser meio rígido também. A verdade...

O SOLDADO E A MORTE - Conto Clássico Sobrenatural - Alexander Nikolayevich Afanasyev

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O SOLDADO E A MORTE Alexander Nikolayevich Afanasyev (1826 - 1871)   Um soldado, após vinte e cinco anos de serviço militar, pediu baixa e ganhou o mundo. Tendo caminhado por um tempo, encontrou um homem pobre, que lhe pediu uma esmola. O soldado, tendo apenas três biscoitos, deu um deles ao mendigo e ficou com os restantes. O soldado continuou seu caminho, e logo se deparou com outro esmoler. O pobre homem, cumprimentando-o humildemente, também lhe pediu uma caridade. O soldado dividiu com ele sua provisão, dando-lhe um biscoito e ficando com o que lhe restara. Caminhava já por um tempo quando encontrou um terceiro pedinte. Era um homem velho, de cabelos brancos como a neve, que também o cumprimentou humildemente, pedindo-lhe esmola. O soldado pegou seu último biscoito, assim pensando: —Se eu te der o biscoito inteiro, vou ficar sem provisões; se, todavia, eu der a este velho homem a metade, e ele achar os dois outros mendigos, vendo que eu ofertei um biscoito inte...

A MORTE DA BRUXA DE BERKELEY - Narrativa Clássica de Terror - William of Malmesbury

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  A MORTE DA BRUXA DE BERKELEY William of Malmesbury (c. 1095 – 1143)   Havia em Berkeley uma mulher que, conforme se disse mais tarde, estava habituada à maldade e à prática de antigos métodos de augúrio e adivinhação. Era ela uma criatura sem modéstia alguma, que se entregava apenas aos seus apetites. Ao longo de toda a sua vida, não se importou com escândalos; todavia, começava a envelhecer e fazia-se temerosa dos passos da morte. Certa feita, enquanto jantava, um pequeno corvo — que a mulher mantinha como animal de estimação — emitiu um grito que se assemelhava à fala humana. Isto a assustou tão profundamente que deixou cair a faca. Gemendo de tristeza, com o rosto repentinamente pálido, disse: —Hoje o meu arado produziu o seu sulco derradeiro. Estou prestes a ouvir algo mui triste e a padecer de grande dor. Chegou, naquele momento, um mensageiro que, hesitante, lhe deu a notícia da morte do filho, o que representava a catastrófica aniquilação de todas as esp...

O SINO DO CEMITÉRIO - Conto de Terror - Giulianno Liberalli

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  O SINO DO CEMITÉRIO Giulianno Liberalli     Caía uma garoa fina naquela tarde de inverno no pequeno cemitério da cidade de Berkhamsted, Inglaterra, e os familiares de Grannus davam-lhe os pêsames pela trágica perda da sua bela e jovem esposa, Urd. Grannus conhecera Urd em uma viagem à Escandinávia, eles se apaixonaram e foram morar na propriedade que ele herdou anos antes. Ele não era um homem de muitas posses e viveram alguns anos de forma humilde, viajava fazendo comércio e Urd cuidava da casa. Ela era uma mulher forte, saudável e de temperamento firme, Grannus brincava chamando-a de sua “Valquíria” e como ele passava meses fora, Urd acabou fazendo amizade com uma moça de uma casa próxima, a encantadora Rosmerta. Era essa amiga que consolava o agora viúvo Grannus durante o sepultamento de Urd. A morte dela foi marcada por uma doença que nenhum especialista da região conseguiu identificar, simplesmente definhou aos poucos até falecer. Seu marido não tinha m...