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NAVIO FANTASMA - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatural - Walter Schout

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NAVIO FANTASMA Walter Schout (Séc. XX) A Taberna Azul era o ponto preferido pelos capitães de veleiros nas suas horas de folga. Eu e o velho John, meu cabo de guarda, quando estávamos na Inglaterra e podíamos desembarcar, gostávamos também de aparecer por lá. Seria talvez uma pontinha de saudade dos nossos primeiros tempos no mar… Essas reuniões tornavam-se mais interessantes na época das corridas das galeras inglesas da frota do trigo, que interessavam a todos os veleiros do mundo. A justa preferida para as grandes provas era a dos mares da Austrália do Sul (Porto Vitória) aos da Inglaterra (Falmouth). —Nada na vida mais me emociona do que uma dessas corridas — dizia-me certa vez, num dia de calma, soltando uma baforada do seu cachimbo de fina escuma, o capitão Ruben de Cloux. O capitão Cloux era o mais experimentado navegante à vela da Inglaterra, reconhecido assim o veterano dos capitães de longo curso da frota do trigo. Comandava então o Herzogin Cecile , governando-o ao sab...

SEREIA NÓRDICA - Narrativa Clássica Sobrenatural - Anônimo norueguês do séc. XIII

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SEREIA NÓRDICA (Anônimo norueguês do séc. XIII) Um monstro, chamado Margryr 1 , também é visto na Groenlândia. Até a cintura, esta criatura assemelha-se a uma mulher, pois, como esta, tem mamilos nos seios; e tem ela mãos longas e cabelos flexíveis. O pescoço e a cabeça são, em todos os aspectos, semelhantes aos de um ser humano. As mãos parecem compridas se comparadas às de uma pessoa e os dedos não são separados, mas unidos por uma membrana, como os pés das aves aquáticas. Da cintura para baixo, tal ser parece-se com um peixe, dotado que é de escamas, cauda e barbatanas. Acredita-se que este prodígio, juntamente com o já referido Hafstramba 2 , exibe-se sobremodo antes das tempestades. Esta criatura tem o costume de mergulhar e aflorar à superfície com peixes na mão, algo que faz frequentemente. Quando os marinheiros a veem brincando com os peixes, ou quando ela os arremessa ao navio, temem que estejam condenados a perder vários membros da tripulação; todavia, quando come o...

VIVA OU MORTA? - Conto Clássico Fúnebre - Rabindranath Tagore

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VIVA OU MORTA? Rabindranath Tagore (1861 – 1941) Tradução de autor desconhecido do séc. XX Kadambini, a viúva da casa Saradasankar, o ze m indar (proprietário de terras) de Ranihat, não tinha parentes por parte dos seus pais. Um atrás dos outros, foram morrendo. Na família do seu marido, também não havia a quem pudesse chamar verdadeiramente seu, pois não tinha tido filhos. Sua única afeição era o filho de seu cunhado Saradasankar, que tinha criado, porque a mãe esteve doente muito tempo depois de dar-lhe à luz. Quando uma mulher faz às vezes de mãe a um filho de outra, seu amor é muito forte, porque não tem direito sobre ele, quero dizer nenhum direito de parentesco, somente a simples afeição; e o amor não pode provar com documentos seu direito diante da sociedade, nem tampouco deseja prová-lo, conformando-se em adorar com dupla paixão o tesouro incerto da sua vida. Assim, pois, todo o amor da viúva concentrou-se naquela criaturinha. Uma noite de Sraban 1 , Kadambini morreu re...