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A MULHER DE MÃOS CORTADAS - Conto Clássico Fantástico - Autor anônimo

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A MULHER DE MÃOS CORTADAS (Das Mil e Uma Noites) Autor anônimo Certo rei mandou proclamar, aos seus súditos, o seguinte édito: — Se algum de vós der esmola, seja lá o que for, eu, induvidosamente, lhe cortarei a mão. Em razão disto, todo o povo se absteve de dar esmola, e ninguém podia dar nada a ninguém. Ora, certo dia, um dia um mendigo, consumido pela fome, abordou uma certa mulher e lhe disse: — Dê-me uma esmola, por menor que seja! — Como posso te dar algo — disse ela —, se o rei corta as mãos de todos os que dão esmolas? — Eu te imploro por Deus Todo-Poderoso! — insistiu ele. —Dá-me uma esmola! Tendo ele assim implorado, evocando o Santo Nome de Deus, a mulher, apiedando-se dele, deu-lhe dois pãezinhos. Tomando conhecimento do ocorrido, o rei chamou a mulher à sua presença e cortou-lhe as mãos. Mutilada, ela voltou para casa. Ora, aconteceu que, passado algum tempo, o rei disse à mãe: — Desejo casar-me. Casa-me, então, com uma bela mulher. — Há, entre nossas escr...

SOCORRO EM MEIO AOS MONTES DE NEVE - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatural - Horace Bushnell

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SOCORRO EM MEIO AOS MONTES DE NEVE Horace Bushnell (1802 – 1876) Tradução de Paulo Soriano Eu estava sentado junto à lareira, numa noite tempestuosa de novembro, no salão de um hotel no Vale de Napa, Califórnia, quando entrou e sentou-se à roda um homem de aparência venerável e benevolente, acompanhado de sua esposa. O estranho, como vim a saber depois, era o capitão Yount, um homem que viera à Califórnia como caçador há mais de quarenta anos. Aqui ele viveu, afastado do mundo exterior e de seus problemas, adquirindo uma imensa propriedade rural e tornando-se uma espécie de patriarca reconhecido na região. Sua figura, alta e viril, e seu olhar gracioso e paternal — tão desprovido de sofisticação na expressão, como se ele jamais tivesse ouvido falar de uma dúvida ou questão filosófica na vida — caracterizavam-no como um verdadeiro patriarca. A conversa — não sei como — adentrou as searas do espiritismo e da necromancia moderna. E ele demonstrava uma certa tendência a acreditar n...

O CICLOPE DAS FLORESTAS - Conto de Terror - Diony Scandela

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O CICLOPE DAS FLORESTAS Diony Scandela No livro anônimo Acontecimentos da Inglaterra Anglicana , menciona-se o misterioso “incidente irlandês”. Segundo relatou o historiador italiano Bartolomeo Banucci na Conferência Anual de História realizada em Madri, em 1966, o erudito expôs um estranho episódio baseando-se nas alusões que o livro faz aos chamados “cultos ao deus chacal”. Banucci nos falava do encontro entre o arcebispo Thomas Cranmer e um monstro que habitava as florestas de Dublim. Vale destacar que o anglicano Cranmer morreu na fogueira em 21 de março de 1556 por se recusar a abraçar o catolicismo, sendo queimado como “herege” sob o reinado de Maria Tudor, apelidada de “Maria, a Sanguinária”. Três anos antes de sua morte, Cranmer partiu em uma expedição secreta para entregar panfletos que apoiavam a causa protestante, além de várias traduções inglesas do Novo Testamento, a uma comunidade rural na Irlanda. O local era o foco de diversas pregações e sermões ao ar livre ministra...

O VELÓRIO DO HORROR - Conto Clássico Fúnebre - Visconde de Vogüé

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O VELÓRIO DO HORROR Eugène-Marie Melchior, Visconde de Vogüé (1848–1910) Tradução de autor anônimo do séc. XX No último outono, caçávamos no governo de Riazan, Rússia. Toda a manhã, perseguíramos os patos selvagens sobre um grande tanque. Era, visivelmente, um antigo lago artificial, cavado ali para embelezar algum parque senhorial. Mas o esforço da mão do homem desaparecera desde muito tempo, sob o trabalho fácil da natureza. Feita senhora desse local, ela mudara o desenho primitivo segundo sua fantasia, apagando as linhas direitas graças a um renque de juncos, salgueiros e faias. Na extremidade do brejo, uma clareira aberta entre as árvores permitia vislumbrar-se, a alguma distância, em uma dobra do terreno, um vasto trecho de habitação, em parte mascarado pelos restos de um muro ameiado. Essa aparição feudal intrigou-me vivamente; nada vira ainda de semelhante nos campos russos. As construções de pedra são aí quase desconhecidas, e as casas senhoriais contentam-se com uma simple...

A SEMANA FATAL - Conto Clássico Fúnebre - Alberto Donaudy

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A SEMANA FATAL Alberto Donaudy (1880 – 1941) Traduçõo de autor anônimo do séc. XX Abatendo-se na poltrona do gabinete quando tencionava terminar um ofício, o comendador Bassá (Gustavo Adolfo, como lhe chamavam familiarmente até os contínuos) interrompeu do modo mais inesperado e imprevisto a sua carreira de funcionário publico, que durara vinte e nove anos e doze dias precisos, para empreender a de defunto que, de ordinário, dura mais. Transportado para casa, deixou que lhe vestissem o fraque da sua primeira juventude (que lhe ficava um pouco estreito), que o cercassem com as flores da sua última primavera (que não tinham um cheiro lá muito agradável); avaro como era, consentiu, no entanto, que triplicassem a iluminação, e, durante vinte e quatro horas, esteve em casa pela última vez, esperando indolente e tranquilo, com os braços cruzados no peito, que, quando a mulher chegasse da Sicília, aonde fora ver a mãe, e os amigos dessem o fora do quarto, onde estavam reunidos desde pela m...