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A MULHER QUE ENGANOU O DIABO - Conto Humorístico Tradicional Europeu

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A MULHER QUE ENGANOU O DIABO Conto tradicional europeu Um pobre trabalhador rural, que ganhava uma miséria por dia lavrado em terra alheia, tinha um vizinho que era o diabo, mas disso ele não sabia. Certo dia, o vizinho chegou ao roceiro e   disse-lhe: — Você é tão pobre! Mas eu tenho um grande campo onde você pode trabalhar para mim no regime de meação. Faremos um pacto   com a condição de   que o que crescer para debaixo da terra será meu,   e o que crescer para cima da   terra será seu. O roceiro, aceitando a proposta, foi trabalhar o campo e semeou-o de trigo. Do campo semeado nasceu muito trigo, que ele colheu no seu tempo, e disse ao vizinho que fosse buscar o que havia crescido para debaixo da terra. O diabo só achou as raízes.   Vendo que tinha sido enganado pelo vizinho, disse-lhe o demônio: — O nosso acordo, como está,   não me serve mais. Se   você   quiser continuar a lavrar a minha terra, há de a...

A MULHER ALTA - Conto Clássico de Terror - Pedro de Alarcón

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  A MULHER ALTA Pedro de Alarcón (1833-1891) Tradução de autor desconhecido do século XX   — Quão pouco sabemos nós, amigos; como sabemos realmente pouco! Quem falava era Gabriel, um distinto engenheiro civil do corpo de montanha. Estava sentado sob um pinheiro, perto de uma fonte, no cimo do Guadarrama. Distava apenas légua e meia do palácio do Escurial, na linha fronteiriça das províncias de Madri e Segóvia. Conheço o lugar, a fonte, o pinheiro, e tudo, mas esqueci-lhes o nome. — Sentemo-nos — prosseguiu Gabriel —, já que esta é a melhor coisa que temos a fazer e já que nosso programa exige um descanso aqui... aqui neste local agradável e clássico, famoso pelas propriedades digestivas desta fonte e pelos inúmeros cordeiros, aqui devorados pelos nossos notáveis professores Dom Miguel Bosch, Dom Máximo Laguna, Dom Augustín Pascual e outros ilustres naturalistas. Sentem-se, pois quero contar-lhes uma estranha e maravilhosa história em prova da minha tese, que pret...

VISÃO DE ALÉM-TÚMULO - Conto Clássico Fúnebre - Amédée Gouet

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VISÃO DE ALÉM-TÚMULO Amédée Gouet (181? – 1869) Tradução de autor desconhecido do séc. XIX Certa noite, entrou no meu quarto um amigo que morrera há seis meses. Eu assistira eu ao seu enterro. Tinha-lhe lançado água benta sobre cova, ouvira o caixão do pinho ressoar com as lúgubres pás de terra. — Boas noites — disse-me ele, satisfeito como um Roger-B o ntemps 1 . — Como passas? — Bem… E tu? — respondi, procurando resistir ao abalo de surpresa que esta aparição me causava. — Melhor, multo melhor, obrigado — tornou o meu amigo. — Desde que faleci, já não tenho as fúnebres ideias que me tornavam insuportável a vida. O meu cérebro aclarou-se e, por consequência, tornou-se melhor o estômago, e o peito excelente, como um verdadeiro saxofone. É mesmo uma maravilha! Não é sem razão que dizem que a morte cura todos os males. Desatou a rir e as suas estrondosas gargalhadas fizeram tremer as vidraças, como para atestarem a poderosa sonoridade do instrumento que lhe fazia as vezes d...