OLIGARCO - Conto de Terror - L. Alexandre Santos
OLIGARCO L. Alexandre Santos DIA 1 Avançava em passos lentos, sujos de barro e memória, até alcançar a casa que me acolheria; um refúgio erguido contra as cidades, essas feridas abertas pela pobreza e pela fumaça que enegrece o ar. Aqui, tudo parecia um rumor distante, quase um mito. As casas de madeira alinhavam-se ao caminho como testemunhas mudas, e seus telhados humildes arrancavam de mim um sorriso involuntário, como se a própria alegria tivesse sido convertida em hino daquela solidão festiva. Sem filhos que herdassem meu nome, sem a mulher que a leucemia me roubou em silêncio, sem a mãe que a idade consumiu até a última centelha de voz. De meu pai, não restou sequer lembrança; apenas a ausência, um buraco cavado antes mesmo do meu nascimento. Amigos, tampouco os tive; a vida me negou cumplicidades, como se eu houvesse nascido para o deserto. A solidão, essa companheira áspera, exigia de mim um propósito, uma metamorfose. Eu precisava de uma mudança tão radical qua...