Postagens

O CONDENADO À MORTE - Conto Clássico de Horror - J.-H. Rosny

Imagem
O CONDENADO À MORTE J.-H. Rosny [Joseph-Henri-Honoré Boex (1856 – 1940) e Séraphin-Justin-François Boex (1859 – 1948)] Tradução de Alberto Vieira (Séc. XX) Era a minha primeira causa importante — referia o advogado Basseterre. — Ela foi a origem de minha fortuna e de minha celebridade. O homem que me aceitara como defensor tinha cometido um crime horrível. Tinha assassinado dois velhos, os esposos Maillot, com refinamentos de ferocidade. Tendo a mulher sobrevivido a pontapés que lhe dera no ventre, susteve a sua cabeça na chama de uma lareira, um fogo que ardia mal, até que cessou de gritar, de respirar, de se mover. O rosto daquele assassino indicava bastante — e bem — o seu carácter. Uma testa e um nariz estreitíssimos, umas mandíbulas desmesuradamente largas. Uns olhos redondos, brilhantes como os de um chimpanzé e que fosforeciam debaixo de umas sobrancelhas serradas como bigodes. Os braços terminavam numas mãos enormes, vermelhas, cujas linhas cresciam com uma rapidez fa...

SUPERSTIÇÃO INFANTICIDA - Narrativa Verídica de Horror - Autor anônimo do séc. XIX

Imagem
  SUPERSTIÇÃO INFANTICIDA Autor anônimo do séc. XIX Uma pessoa, cuja probidade é garantida pela respectiva redação, escreve, do Laje do Canhoto ao Diário das Alagoas, o seguinte: Caro amigo: É mesmo aqui, em casa do subdelegado de polícia, e sobre a pressão de um fato sumamente horroroso, que lhe faço estas duas linhas e peço que lhe dê a publicidade devida, como um acontecimento ainda virgem na história da espécie humana. Chegava do nosso sítio a esta povoação, quando vi que, na porta do subdelegado, se agrupava uma multidão (por ser hoje dia de feira) e, por espírito de curiosidade, aproximei-me também; e, entrando na casa, vi sobre a mesa uma criança morta, tendo a mão direita decepada pela junta e arrancadas a ponta de faca todas as unhas dos pés. Junto a essa infeliz criatura, acham-se o pai e mãe que, transidos de dor e afogados em pranto, contavam entre soluços e gemidos do coração o seguinte fato. Dizia a desditosa mãe: “Há quatro ou cinco dias, not...

O LOBISOMEM DE GUALEGUAYCHÚ - Conto Clássico Sobrenatural - J. V. Mansilla

Imagem
O LOBISOMEM DE GUALEGUAYCHÚ J. V. Mansilla (Séc. XX) Tradução de H. C. (Séc. XX) No salão, um grupo de cavalheiros e damas palestravam animadamente. Lucia, a mais moça das Chávez, executava no piano O Cisne de Saint-Saëns, enquanto o Sr. Chávez e eu, recostados em cômodas poltronas de vime, no vestíbulo, nos deleitávamos na contemplação da paisagem enluarada. A perspectiva que nos apresentava a cidade de Gualeguaychú era, na realidade, surpreendente. Acima da formosa quinta e dos jardins que circundavam o chalé, avistava-se uma parte do pequeno porto do rio que tem o mesmo nome da cidade, com modestas lanchas e barquinhas que pareciam mais de brinquedos… E, além, aparecia um trecho da cidade prateada, de contornos irregulares, e o serpenteio esbranquiçado do rio na linha do horizonte, os salgueiros das ilhas escuras… De cultura muito escassa, porém com uma imaginação tropicalmente privilegiada, o senhor Chávez era, no mundo agropecuário, um astro de primeira grandeza e, nas re...

O CARRO FANTASMA - Conto Clássico de Terror - Archimedes da Matta

Imagem
O CARRO FANTASMA Archimedes da Matta (Séc. XX) Depois de haver perdido os últimos cem mil réis na roleta, na perseguição teimosa do 17, deixei a banca de jogo e saí com o meu amigo Teobaldo. Era uma bonita noite de verão, enluarada, e os raros transeuntes, que passavam pela rua em que estávamos àquelas horas (seria um pouco mais de meia-noite), quebravam a monotonia daquele luar que banhava a cidade. Nesta ocasião, avistei, na volta de uma esquina, um carro que se aproximava. O cavalo vinha num passo tardo, como se estivesse cansado pelos trabalhos exaustivos do dia. O calor sufocava e eu suava em bicas. —Vamos pegar aquele carro e dar umas voltas por aí — disse a Teobaldo, enquanto ele se abanava furiosamente com o chapéu de palha. Como se minhas palavras fossem uma chicotada, meu amigo parou de se abanar e, segurando-me pelo braço, olhos arregalados, me perguntou: —Pegar o quê?! —Aquele carro que vem ali! —Tu estás falando sério? Tu viste algum carro? —Então ali não...