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322 - Conto de Terror - Diony Scandela

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322   Diony Scandela   Estamos cercados de mistério, mas nos acostumamos a viver na superfície das coisas. — Juan José Arreola   Era um fato mais claro do que a água: o padre Madariaga havia desaparecido da noite para o dia. Seu quarto, nas adjacências do Escritório da Comissão Geográfica, estava em completa ordem: ali estavam seu crucifixo, sua escrivaninha e seu caderno de anotações, onde sua tese de doutorado tinha ficado pela metade; na parede, ao lado de uma teia de aranha, pendia um quadro de Santo Inácio de Loyola, fundador da ordem à qual Madariaga pertencia (os jesuítas). O primeiro a dar o alarme sobre a ausência do padre foi o índio Arapaima, um robusto cacique convertido ao catolicismo, que galopou até a casinha onde se encontrava Dom Genaro Yépez. O bom historiador lembrou que Rafael Madariaga ficaria apenas sete dias ali em San Silvestre, por ordens da respeitável loja que pagou sua viagem. — Não deixou nada escrito. A mala e todos os pertences dele estavam ...

A LOCOMOTIVA - Conto Clássico de Horror - Amado Nervo

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A LOCOMOTIVA Amado Nervo (1870 – 1919) Tradução de autor desconhecido do séc. XX   Entre o prado, por onde passeavam, e a vistosa casaria, atraente e risonha, à força de calor e da claridade, estava a pauta escura e enorme dos trilhos, que prolongavam, até perder de vista numa curva próxima, a acerada rigidez de suas paralelas. O casal e as duas crianças tiveram a mesma ideia: ir além, entre as garridas casinhas vermelhas e azuis, que eram a sedução por excelência da paisagem. Mas os trilhos? O perigo de atravessar os trilhos? Antes que o marido ponderasse essa objeção, a senhora, com o menino maior, que a acompanhava, deitou a correr, saltando dormentes de ferros, e em três minutos encontrou-se triunfante no outro lado, sobre a rampa fofa de céspede. Seguiu-a o esposo, com o filho menor pela mão. O pequeno saltava trilho a trilho a trilho e pretendia nalguns caminhar, fazendo equilíbrios sobre a estreita superfície, sustido sempre pela destra de seu pai. De repente, um silvo rouco...

CRIMINOSA SOB HIPNOSE - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatural - Autor anônimo do séc. XX

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CRIMINOSA SOB HIPNOSE Autor anônimo do séc. XX   Hipnotizada pelo marido, tornou-se criminosa. Será possível esse fato? A ciência ainda não disse a última palavra sobre o assunto. Entretanto, já se tem baseado nele, na Justiça, para atenuar certos crimes. A cena passava-se no júri, em Eddyville, Kentucky, Estados Unidos: — Ele me hipnotizou, senhor juiz. Meu marido me hipnotizou.  Quando eu levei as pistolas, estava perfeitamente inconsciente, e ele o fez através das grades da prisão. Há anos, eu perdi um filho e isso me abalou de tal maneira que quase enlouqueci. Sofria de uma insônia terrível e de dor de cabeça constante. Um dia, Tex, meu marido, disse-me que tinha muita força hipnótica e que, se eu quisesse, ele me faria dormir. Aceitei e, realmente, dormi. Cinco vezes Tex fez a mesma coisa, e cada vez eu dormia mais rapidamente. Assim, Tex ficou com esse poder sobre a minha vontade. Olhava-me e logo tudo desaparecia diante de mim. Em meu cérebro e na minha vista ficava som...

A ALMOFADA MÁGICA - Conto Clássico Fantástico - Shen Jiji

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A ALMOFADA MÁGICA Shen Jiji (c. 750 – c. 800) Tradução/adaptação de autor anônimo do séc. XX     Certa vez, um velho sacerdote, que mendigava, se deteve na porta de um albergue, junto de uma carroça, colocou no chão a sua almofada e se sentou nela, deixando o alforje ao lado. Pouco depois, chegou ao albergue um jovem da vizinhança. Era um lavrador, que vestia roupas curtas e não uma túnica ampla como a dos sacerdotes e dos homens ilustres. Sentou-se perto do ancião e, minutos depois, os dois conversavam amistosamente. De repente, o jovem olhou para as suas roupas de pano grosso e exclamou com tristeza: — Sou, na verdade, uma mísera criatura. — Pela aparência, estás com saúde e não te falta comida — replicou o sacerdote. — Não sei por que, no meio da nossa palestra agradável, te queixas da sorte. — Crês, por acaso, que é agradável — disse o jovem — a vida que levo, trabalhando da manhã à noite? Queria ser um grande general e ganhar batalhas; ou um homem muito rico, que passasse...

O CIRURGIÃO LOUCO - Conto Clássico de Suspense - Edward Kennedy

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O CIRURGIÃO LOUCO Edward Kenedy (Séc. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Era muito natural que, sendo um comerciante riquíssimo e possuidor de bela propriedade em Fontainebleau, o Sr. Gustave Laulan gostasse de, no verão, nas tardes de sábado, para lá se dirigir com a esposa. Depois da trabalheira da semana, um pouco de repouso para o espirito! E lá se ia o casal num esplêndido automóvel que devorava a distância em menos de uma hora. A formosa mulher, sentada ao seu lado, sempre atemorizada com a rapidez do automóvel, advertiu ao marido:  — Mais devagar, homem! Isso um dia vai dar num acidente.  —Não temas, querida. O meu carro é excelente e, na verdade, só dou rapidez quando vejo uma linha reta e posso avistar muito longe... — Isso não importa. Suponhamos que se rompa um pneu. Tu não poderás governar a direção e daí... Sofrerás um grande susto. —  Está bem. Mas devias depositar mais um pouco de confiança no teu marido. Gustave Laulan ...

A ALMA PENADA DO BARÃO - Conto Clássico Sobrenatual - Viriato Padilha

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A ALMA PENADA DO BARÃO Viriato Padilha (1866 – 1924)   O barão do Arrenegado era um importante fazendeiro de Serra Acima, muito conhecido da praça do Rio de Janeiro, com a qual entretinha assíduas relações comerciais. A história que passamos a contar, e na qual o opulento e aristocrático barão do Arrenegado figura como principal personagem, fixa-se cronologicamente no tempo de Pedro I e pouco antes da expulsão desse Bragança do Brasil. É sabido de todos que conhecem um pouco a história pátria que o filho de Dom João VI, depois da dissolução da Constituinte, começou a temer seriamente o partido nacional, do qual eram principais chefes os ilustres Andradas, com os quais se havia incompatibilizado. Por isso cogitou da formação de um partido brasileiro para se opor àquele, e, no propósito de adquirir afeiçoados, distribuiu profusamente títulos e mercês honoríficas, fato esse que, segundo dizia o Tiphis Pernambucano , célebre jornal do mártir frei Caneca, era um ultraje irrogado pelo t...