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O HOMEM MORTO - Conto Clássico de Horror - Horacio Quiroga

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O HOMEM MORTO Horacio Quiroga (1878 – 1937) Tradução de Paulo Soriano O homem e seu facão acabam de limpar a quinta rua do bananal. Ainda lhes faltavam duas ruas. Mas, como nestas abundavam as ervas daninhas e as malvas-silvestres, a tarefa que tinham pela frente era coisa muito pouca. Por conseguinte, o homem lançou um olhar satisfeito aos arbustos roçados e cruzou a cerca de arame para estirar-se um pouco sobre o relvado. Mas, ao baixar a cerca de arame farpado e passar o corpo, seu pé esquerdo resvalou sobre um pedaço de casca de madeira desprendida do poste, enquanto o facão escapulia de sua mão. Quando caía, o homem teve a sumamente longínqua impressão de não ver o facão caído no chão. Estava já estendido sobre o relvado, deitado sobre flanco direito, como ele queria. A boca, que pouco antes abrira-se  em toda a sua extensão, acabava, também, de fechar-se. Estava como desejava estar: os joelhos dobrados e a mão esquerda sobre o peito. Só que, atrás do antebr...

O LAGO DO DIABO - Conto Clássico de Terror e Mistério - Pierre Zaccone

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O LAGO DO DIABO Pierre Zaccone (1817 – 1895) Tradução de Lafayette Pereira Tavares (sec. XIX) Para os fins do mês de abril do ano de 1845,   M. Charles Dumas, rico armador de Saint-Malo, foi com sua família residir em uma deliciosa quinta, situada no vale que fica abaixo da cidade de Dinan. M. Dumas, tendo ganho muito dinheiro como armador, queria desfrutar alguns anos de repouso antes de sair deste mundo, em que deixava uns poucos de filhos, já todos educados e a abrigo das necessidades, em virtude da bela fortuna que tinha ganho   para eles muito honradamente.   A quinta que escolheu era conhecida no lugar pela denominação de Sableu, e quando dela tomou posse, havia dois anos que não era habitada. M. Dumas, portanto, achou-a na mais completa desordem. O capim tinha-se alastrado pelos jardins, as árvores não haviam sido podadas, alguns muros achavam-se caídos pela ação da chuva e do vento; o assoalho e o teto estavam todos podres:   em suma...

A EXPERIÊNCIA MACABRA DO DOUTOR ANDREW URE - Narrativa Verídica - B. Gastineau

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A EXPERIÊNCIA MACABRA DO DOUTOR ANDREW URE B. Gastineau Tradução de R. Belmont O cadáver de um assassino [1] fora retirado da forca uma hora depois da suspensão e levado ao anfiteatro do Dr. Ure [2] , que lhe fez imediatamente incisões no osso occipital e no calcanhar, descobriu a medula do espinhaço, os principais nervos e pôs os órgãos em contato por meio dos condutores elétricos. Quando aplicada a corrente elétrica, o corpo do enforcado agitou-se convulsivamente e uma perna entesou-se com tal força que por pouco atirou ao chão um dos assistentes [3] . Começou o trabalho de uma respiração completa. O peito elevava-se e abaixava segundo os movimentos diafragma, tal como num homem vivo.   Todas as paixões traduziram-se na face do enforcado. À proporção que aumentava a força das descargas elétricas, seu rosto exprimia alternativamente o terror, o desespero, a cólera, a angústia, acompanhados de um sorriso horrível. Os espectadores não puderam suportar este ...

O PERIGO DE CHEIRAR FLORES - Narrativa Verídica de Horror - Anônimo do Séc. XIX

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O PERIGO DE CHEIRAR FLORES Anônimo do séc. XIX Lê-se   em um jornal de Nantes: “Mlle.     Amélia I... residia numa pequena casa de campo. Apaixonada pelas flores, como todas as pessoas da sua idade, pois tinha 19 anos, possuía um jardim, onde não cessava de fazer ramalhetes. Um dia, na forma do seu costume, foi ao jardim, onde o seu primeiro movimento foi colher uma rosa para a pôr na cabeça, não deixando de  cheirá-la primeiro. Quer porque tenha aspirado muito forte, quer porque aproximara demasiadamente a rosa ao   nariz, sentiu   uma espécie de   titilação, que, infelizmente para ela, não foi suficientemente forte para fazê-la espirrar — o que, segundo a declaração de seu tio, o Dr. T.   I..., lhe teria salvado a vida. O fato é que ela não fez caso do incidente. Porém, alguns dias depois, queixava-se de uma violenta dor de cabeça. Começou a não poder dormir, sofrendo dores atrozes. Foram chamados mu...

AQUELES QUE MORAM SOB AS TUMBAS - Conto Clássico de Terror - Robert E. Howard

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AQUELES QUE MORAM SOB AS TUMBAS Robert E. Howard (1906 – 1936) Tradução de  Fernando Neeser de Aragão Acordei subitamente e me sentei na cama, me perguntando sonolento quem batia tão violentamente à porta, ameaçando despedaçar os painéis. Uma voz guinchava, intoleravelmente aguçada, como se por terror louco. – Conrad, Conrad! – alguém guinchava do outro lado da porta. – Pelo amor de Deus, deixe-me entrar! Eu o vi! Eu o vi! – Parece ser Job Kiles – disse Conrad, erguendo sua longa estrutura do divã onde estivera dormindo, após ter cedido sua cama para mim. – Não derrube a porta! – ele gritou, procurando por seus chinelos – Estou indo! – Bem, apresse-se! – gritou o visitante invisível – Acabei de olhar para dentro dos olhos do Inferno! Conrad acendeu uma luz e abriu rapidamente a porta; e, numa figura meio caída, meio cambaleante e com olhos desvairados, reconheci o homem a quem Conrad chamara de Job Kiles – um homem rançoso e miseravelmente velho, ...