O HOMEM MORTO - Conto Clássico de Horror - Horacio Quiroga
O HOMEM MORTO Horacio Quiroga (1878 – 1937) Tradução de Paulo Soriano O homem e seu facão acabam de limpar a quinta rua do bananal. Ainda lhes faltavam duas ruas. Mas, como nestas abundavam as ervas daninhas e as malvas-silvestres, a tarefa que tinham pela frente era coisa muito pouca. Por conseguinte, o homem lançou um olhar satisfeito aos arbustos roçados e cruzou a cerca de arame para estirar-se um pouco sobre o relvado. Mas, ao baixar a cerca de arame farpado e passar o corpo, seu pé esquerdo resvalou sobre um pedaço de casca de madeira desprendida do poste, enquanto o facão escapulia de sua mão. Quando caía, o homem teve a sumamente longínqua impressão de não ver o facão caído no chão. Estava já estendido sobre o relvado, deitado sobre flanco direito, como ele queria. A boca, que pouco antes abrira-se em toda a sua extensão, acabava, também, de fechar-se. Estava como desejava estar: os joelhos dobrados e a mão esquerda sobre o peito. Só que, atrás do antebr...