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UMA MORTAL AVENTURA - Conto Clássico Trágico - Autor anônimo do séc. XIX

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UMA MORTAL AVENTURA Autor anônimo do séc. XIX   Oh, como brilha a casa inglesa! Que linda iluminação! Que belas carruagens esperam diante da porta! Aqui celebra-se, sem dúvida, algum casamento. Uma estrondosa orquestra faz retumbar a sala. A valsa move a multidão agitada; é a dança da despedida. No vestíbulo, a multidão multicolor dos lacaios se impacienta, fixando os olhos fatigados sobre a escada por onde devem descer seus amos. Enquanto que na sala dava-se uma livre carreira à comum alegria, estava na rua um jovem coberto com um capote, e que ia e vinha com inquietação, tendo a gola do seu capote levantada bem alta, e seu chapéu profundamente enterrado até os olhos. Sua agitação se acalmava por intervalos: parava, escutava, lançava uma vista de olhos sobre as brilhantes janelas, e murmurava continuamente palavras que não se podiam entender. Era Júlio Franz. Falando a verdade, e sem saber por que razão, este jovem interessava minha sensibilidade mais do que minha curiosidade. De ...

A NOIVA - Conto Clássico Sobrenatural - Humberto de Campos

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A NOIVA Humberto de Campos (1886 – 1934)   Após um dia de trabalho intenso, consumido no manuseio de velhos volumes adquiridos nos alfarrabistas para uma obra erudição, o poeta Silvestre de Morais vira desabrochar nas alturas, através da janela aberta, as primeiras estrelas daquela da noite de verão. Fora, no jardim, as árvores repousavam, imóveis, como se rezassem, mudas, preparando-se para adormecer. De espaço a espaço, um morcego cortava com a lâmina da asa o manto espesso da noite, como um pequenino aeroplano sinistro que se exercitasse, rápido, em funambulescos voos de fantasia. Com os dedos da mão esquerda mergulhados nos cabelos revoltos, o poeta lia, debruçado sobre o volume, à luz da lâmpada suavemente velada, aquelas histórias de fogo e de sangue, quando, de repente, os seus olhos se contraíram diante de uma surpresa. Abaixou mais a cabeça, escancarou mais o livro, e viu: entre as duas páginas abertas, fulgia, como um risco de ouro, um fio de cabelo, brilhante, fino, quas...

CARNIFICINA EM PARIS - Narrativa Clássica Verídica de Horror - Michel Félibien e Guy-Alexis Lobineau

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CARNIFICINA EM PARIS Michel Félibien (1665 - 1719) e Guy-Alexis Lobineau (1666 - 1727) Tradução de Paulo Soriano   Tudo o que, até então, acontecera em Paris, não fora senão o prelúdio da sangrenta tragédia que ali se desenrolou em 12 de junho [de 1418]. Os carniceiros e outros malfeitores, tendo retornado à cidade com o coração repleto de fúria, incitaram o povo à sedição. Entre os líderes do levante havia um homem chamado Lambert, um oleiro daquela cidade.  Espalhou-se o boato de que, a Saint-Macel e a ouros locais ao redor de Paris, tropas haviam chegado para libertar o Conde de Armagnac e os demais prisioneiros, e, também, para executar os homens do grão-duque da Borgonha que ali se encontravam.  Imediatamente, os borgonheses e seus aliados pegaram em armas, foram guardar o portão de Bourdelles e outros, e incitaram toda a população. Durante toda essa movimentação, Lambert e seus acompanhantes dirigiram-se tumultuosamente à portaria do palácio, onde, após retirarem à ...

A AIA ATORMENTADA PELO DIABO - Narrativa Clássica Sobrenatural - Johann Weyer

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A AIA ATORMENTADA PELO DIABO Johann Weyer (1515 – 1588)   Um camponês tinha prometido casar-se com certa jovem. Ele, todavia, se apaixonou por outra mulher. A jovem — uma aia — ficou tão constrita que, depois de se ter afastado cerca de meia légua do convento, encontrou o Diabo. Este, sob a forma de um jovem, começou a conversar intimamente com ela, revelando-lhe todos os segredos do camponês e as palavras que ele tinha dito à nova amante.  E assim falava para que a jovem caísse em desespero e decidisse estrangular o antigo noivo. Quando chegaram a um riacho, ele tomou a jarra de óleo que a moça levava, para que esta pudesse atravessar o passadiço com maior facilidade, e a convidou-a acompanhá-lo a um certo lugar, cujo nome lhe foi dito. A jovem, contudo, recusou o convite, dizendo: — O que queres tu que eu faça entre estes pântanos e lagoas? Subitamente, o acompanhante desapareceu. A moça, de tão assustada, desmaiou. A patroa, avisada, mandou-a trazê-la de volta numa liteira....

A HONRA DE ISRAEL GOW - Conto Clássico Macabro e de Mistério - G. K. Chesterton

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A HONRA DE ISRAEL GOW G. K. Chesterton (1874 – 1936) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Em tormentosa tarde cor de azeitona e prata, o padre Brown, envolto numa capa escocesa de um cinzento acentuado, subia a uma colina para contemplar o castelo de Glengyle. O castelo fechava a passagem de um desfiladeiro e parecia estar no fim do mundo. Aquela cascata de tetos inclinados e cúspides de piçarra verde-mar, ao estilo dos velhos chateaux franco-escoceses, fazia um dos contos. E os pinheirais, que se balançavam em torno de seus verdes torreões, semelhavam inumeráveis bandos de corvos. Esta nota de sonhador diabolismo não era uma simples casualidade da paisagem. Pairava ali uma dessas nuvens de orgulho, loucura e misteriosa aflição que caem com maior peso sobre as casas nobres da Escócia do que sobre quaisquer outras moradias dos filhos dos homens. A Escócia sofre em dose dupla o veneno chamado herança : a tradição do sangue na aristocracia, a tradição do destino no calvinista. O sa...

O VAMPIRO - Conto Clássico de Horror - Gaston Jourdanne

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O VAMPIRO Gaston Jourdanne (1858 – 1905) Tradução de Paulo Soriano   Lembro-me de que, aos doze anos, estava perdidamente apaixonado pela senhorita Clotilde Jarrier. Ela era uma belíssima morena, de olhos escuros, com a qual todos os garotos da minha idade sonhavam. Quando saíamos ao passeio, tínhamos a certeza de que a avistaríamos em seu jardim, cujo portão dava para a praça Montholon. Um dia, não a vimos. E isto deu origem a muitos comentários. Então, um aluno externo, que se dizia excepcionalmente bem informado, afirmou que ela havia enlouquecido. Os céticos alegavam que ela sempre fora um pouco excêntrica: uma aranha no teto, diziam. Eles não imaginavam que estivessem tão perto da terrível verdade. Mas estavam enganados, pois a excentricidade nem sempre residira no cérebro de Clotilde. A terrível criatura — que entrara na cabeça da senhorita Jarrier de forma tão insólita — fora uma aranha-diademada, ou tarântula tetrapneumonídea. Ela é encontrada em jardins; prefer...