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A DAMA BRANCA - Conto Clássico Sobrenatrual - James G. Kinna

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A DAMA BRANCA James G. Kinna (c. 1864 – 1911) Tradução de Paulo Soriano   Agradavelmente situado na margem leste do Cree, a cerca de um quilômetro da cidade, o castelo Machermore é uma visão proeminente na paisagem, que se abre aos olhos do viajante, à medida que o trem, vindo do Sul, se aproxima de Newton-Stewart. Por quase trezentos anos, o velho castelo cinzento de Machermore resistiu bravamente às tempestades, e teria continuado incólume se, recentemente, os tempos modernos não exigissem mudanças estruturais. O castelo agora exibe um feliz exemplo da mistura do antigo e dos novos estilos arquitetônicos, uma adaptação do passado às atuais exigências. É curioso que, embora certos locais próximos ao castelo de Machermore sempre tenham sido associados ao nome da Dama Branca, ninguém jamais viu a misteriosa entidade. No entanto, são poucos os residentes mais velhos da freguesia de Minnigaff que não ouviram os seus avós falarem dela como uma palpável realidade...

A SINGULAR REALIZAÇÃO DE UM SONHO FATÍDICO - Narrativa Clássica Sobrenatural - Catherine Crowe

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A SINGULAR REALIZAÇÃO DE UM SONHO FATÍDICO Catherine Crowe (1803 – 1876) Tradução de Paulo Soriano     Uma carta de Hamburgo contém uma singular história sobre a realização de um sonho fatídico.  Certa manhã, um aprendiz de serralheiro informou ao seu mestre, Claude Soller que, na noite anterior, tivera um sonho no qual era assassinado na estrada para Bergsdorff, uma pequena cidade a cerca de duas horas de distância de Hamburgo. O mestre riu da credulidade do rapaz e, para provar que não acreditava em realizações de sonhos, insistiu em mandá-lo para Bergsdorff com cento e quarenta táleres devidos ao cunhado, que residia naquela cidade. O aprendiz, depois de implorar, em vão, ao seu mestre que mudasse de ideia, foi compelido a partir por volta das onze horas.  Ao chegar à aldeia de Billwaerder, a meio caminho entre Hamburgo e Bergsdorff, o jovem, aterrorizado, recordou do sonho que tivera. Todavia, reconheceu o prefeito da aldeia a uma pequena di...

O FANTASMA LIQUEFEITO - Conto Clássico de Terror - Pu Songling

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  O FANTASMA D’ÁGUA Pu Songling (1640 - 1715)   Song Wan, de Laiyang foi nomeado secretário de um dos conselhos e alugou uma casa em ruínas na capital. Certa noite, sua mãe, que dormia no salão principal, acompanhada por duas criadas, ouviu um ruído estranho — como o de um alfaiate cuspindo no tecido —, vindo de seu pátio externo. Disse às suas criadas que fizessem um buraco na tela de papel e olhassem por ele.   Viram, então, uma velha senhora, baixa e corcunda, com os cabelos brancos presos num topete de duas polegadas, saltitando pelo pátio como uma garça. E, enquanto ela saltitava, um fluxo interminável de água jorrava-lhe da boca. As criadas, assustadas com aquela singular visão, relataram-na imediatamente à sua senhora, que ficou horrorizada. Ajudaram-na a subir até a janela para ver a aparição por si mesma e, naquele exato momento, a velha saltitante se aproximou e cuspiu violentamente um jato d’água diretamente sobre onde elas estavam, rasgando o papel e faz...

LANÇAMENTO - AGÊNCIA BARNETT E ASSOCIADOS - Maurice Leblanc - Ciranda Cultural (Principis)

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  AGÊNCIA BARNETT E ASSOCIADOS  MAURICE LEBLANC Paulo Soriano   A agência de detetives particulares Barnett tem uma peculiaridade: não cobra um vintém por suas investigações, que sempre resultam num grande sucesso. Mas... como sobrevive?  Na verdade, o cínico e ardiloso detetive Jim Barnett não é  outro senão... Arsène Lupin , o encantador ladrão de casaca, embora o inspetor de polícia Béchoux — ao mesmo tempo êmulo e aliado de Barnett — não saiba disto. Sempre que o inspetor Béchoux se encontra em meio a uma desafiadora investigação criminal, aparece, para o seu  alívio (e desespero!), Jim Barnett.  Num escuso passe de mágica, o rival do honesto policial soluciona o crime, pune o criminoso e fica cada vez mais rico... Mas como, se nada cobra dos clientes? Saiba lendo “Agência Barnett e Associados”, que reúne oito  saborosos contos policiais,  nos quais o mistério é tão fascinante quanto a atmosfera leve e bem-humorada que envol...

O DEMÔNIO DE BICÊTRE - Conto Clássico de Terror - Amédée de Ponthieu

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  O DEMÔNIO DE BICÊTRE Amédée de Ponthieu (Séc. XIX) Tradução de Paulo Soriano   Bicêtre sempre arrastou consigo uma longa série de histórias lúgubres. Seu nome desperta uma ideia de reprovação e terror. Há muito tempo, as pessoas crédulas consideravam que era a morada habitual de demônios, bruxos e lobisomens. Ninguém se atrevia a se aventurar em suas proximidades à noite, especialmente após o toque de recolher. O bairro das Catacumbas, o Tombe-Isoire com a lenda sinistra do seu gigante, o castelo do Vauvert, onde o demônio fez aparições tão terríveis que o populacho o transformou num provérbio que ainda circula; a barreira do Inferno, o planalto de Mont-Soufis, o Feudo das Tumbas, a planície semisselvagem que o rodeia, onde pedreiras cavadas aqui e ali abrem as suas bocas ameaçadoras que parecem sugar o viajante; árvores raquíticas e contorcidas cuja silhueta bizarra lembra a forca, tudo parecia finalmente se juntar para fazer desse lugar amaldiçoado um objeto de...

A MISSA DOS ESPECTROS - Conto Clássico de Terror - Anônimo Sueco do Século XIX

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  A MISSA DOS ESPECTROS (Anônimo sueco do séc. XIX)   Numa propriedade chamada Vaderas, vivia, assim como hoje, duas camponesas. Naquela época, as estradas eram boas e as mulheres costumavam cavalgar quando iam à igreja. Num Natal, duas mulheres combinaram que iriam a cavalo para a missa noturna e, como naqueles tempos não existiam relógios, combinaram que a que acordasse na hora oportuna iria chamar a outra. Era cerca de meia-noite quando uma das mulheres pensou ter ouvido uma voz na janela, chamando: —Vou partir agora! Ela se levantou apressada e se vestiu para cavalgar com a outra mulher. Mas, como não havia tempo para comer, foi à mesa e pegou um pedaço de pão.  Naqueles tempos, era costume assar o pão em forma de cruz. Era um pedaço desse feitio que a mulher pegou e guardou no bolso para comê-lo oportunamente. A mulher cavalgou o mais rápido que pôde para achegar-se à amiga, mas não conseguiu alcançá-la.  Havia, no caminho, um riacho que corre para o lago Vidost...

OS ANÕES DE BERGEN - Conto Clássico Fantástico - Anônimo do séc. XIX

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  OS ANÕES DE BERGEN Anônimo do séc. XIX   Existe na ilha de Bergen, Noruega, segundo a opinião do povo, uma multidão de pequenos espíritos que habitam o interior das montanhas. Uns são luminosos e de natureza benévola; outros, sombrios e muito maus. Têm uma morada resplandecente de prata e de cristal e passam a vida alegremente. Às vezes, abrem a porta da montanha e vão correr pelos campos. Se, nessas excursões, um anão perde algum dos objetos de que usa diariamente — como, por exemplo, um pequeno boné com guiso ou um dos seus sapatos de vidro —, cumpre resgatá-lo, custe o que custar. Um camponês, chamado Johannes Wilde, resolveu surpreender um desses pequenos entes de que podia esperar uma fortuna inteira. Saiu à meia noite, levando um frasco de aguardente, e deitou-se no declive da montanha habitada pelos anões. Ali, ficou em perfeita imobilidade, fingindo estar ébrio. Um momento depois, chegam os anões, que, vendo aquele homem estendido no chão, passam sem receio...

LANÇAMENTO - O MENINO E O PALHAÇO - Rodrigo Picon - Tribus Editorial

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O MENINO E O PALHAÇO Rodrigo Picon   Leo era um garoto bastante introvertido. Com os pais falecidos aos nove anos de idade, aos onze vivia no Orfanato Santa Clara, onde constantemente era vítima de bullying , ataques físicos e humilhações por parte dos colegas de orfanato, com conivência das freiras que cuidavam do local. Na escola, sua vida não era diferente: era alvo constante de ataques das crianças, principalmente de Otto, um garoto reprovado de doze anos que era da sua sala. Em uma bela tarde, Leo conhece Boguinho, um carismático palhaço que vive na Fábrica de Sonhos. Um lugar lindo e alegre. Lá, descobre que a fábrica é capaz de transformar o desejo contido em seu coração em realidade. Entretanto, o que Leo não sabia é que a Fábrica podia ler seus desejos mais profundos do coração e transformá-los em realidade, ele querendo ou não.   O MENINO E O PALHAÇO Formatos: físico e e-book Editora: Tribus Editorial Ano de publicação: 2021 Número de páginas: 84...

A MALDIÇÃO DOS BASKERVILLES - Narrativa Clássica de Terror - Arthur Conan Doyle

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  A MALDIÇÃO DOS BASKERVILLES Arthur Conan Doyle (1859 – 1930)   Há diversas versões a respeito da origem do Cão dos Baskervilles. Como, porém, eu descendo em linha reta de Hugo Baskervill — e tive de meu pai a narração, e este já a tivera do próprio pai —, preservei-a na crença de que ela ocorreu como aqui vai narrada. Desejo que vós, meus filhos, creiais que a mesma justiça — a que pune o pecado — também pode perdoar bondosamente, e não há crime nenhum tão pesado que, pela oração e pelo arrependimento, não consiga perdão. Esta história há de ensiná-los a não recear os frutos do passado, procurando, antes, serem circunspectos no futuro e a não se deixarem vencer pelas torvas paixões que tanto fez sofrer a vossa família. Saibam que, no tempo da Grande Rebelião (cuja história pelo esclarecido Lord Clarendon lhes recomendo ardentemente), este Castelo Feudal em Baskervilles pertencia a Hugo do mesmo nome: não é preciso dizer outra vez que era um homem ateu, irreverente ...

O DEVORADOR DE CRÂNIO - Narrativa Clássica de Terror - Dante Alighieri

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  O DEVORADOR DE CRÂNIO Dante Alighieri (1265 – 1321)   Vimos, no Inferno, dois espíritos congelados. Um deles mantinha a cabeça sobre a do outro. Com faminta ferocidade, cravava-lhe os dentes na nuca e roía ferozmente o crânio de seu inimigo. — Ó, tu que demonstras, por meio de tão brutal comportamento, o ódio que tens àquele que estás a devorar, diz-me: o que te induz a tal barbárie? — perguntei. —   Se assim ages por justiça, eu — sabendo quem és tu e qual é o crime de teu inimigo — te vingarei no mundo, antes que a minha língua se imobilize para sempre. Aquele pecador afastou de sua boca aquele terrível alimento e limpou os lábios nos cabelos da cabeça que roía. Depois, começou a falar-me assim:     — Queres tu que eu reviva a dor atroz, que oprime o meu peito, só em pensar no sucedido. Mas, se minhas palavras devem ser um germe de infâmia para o traidor a quem devoro, tu me verás chorar e falar ao mesmo tempo. Não sei quem tu és, nem de qu...

ANEDOTAS MACABRAS - Narrativa Classica Fúnebre-humorísica - Benito Jerónimo Feijó

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ANEDOTAS MACABRAS Benito Jerónimo Feijó (1676 – 1764) Tradução de Paulo Soriano   Um jovem marquês casou-se com uma velha condessa somente porque esta era muito rica. E sucedeu o que acontece ordinariamente: em pouco tempo enfastiou-se tanto dela que a sua simples presença lhe causava agonia. A boa senhora soube disto e ainda chegou a suspeitar que o marido queria desfazer-se dela. Nessa época, a condessa caiu doente. A enferma não só imaginou que o marquês lhe ministrara veneno, como lhe lançou uma calúnia diante de muitas pessoas.  Ao que o marquês, sem se alterar, disse aos circunstantes: — Senhores, para que conheçais que é falso testemunho, chamais os cirurgiões. Que eles abram agora o corpo da condessa e lhe registrem parte por parte. E vereis que não se acha nele rastro algum de veneno. Outro cavalheiro, que também se havia casado com uma velha mulher, chegando esta a morrer, mandou que fosse ela enterrada somente cinco horas depois de haver espirado. Ad...